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Justiça manda soltar pai e filho após suspeita de flagrante forjado por policiais em BH

Investigados por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo foram presos em agosto

Minas Gerais|Ricardo Vasconcelos e Quéren Quézia*, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Justiça de Minas Gerais ordenou a soltura de Bruno Gleidson Fernandes e Matheus Bruno Andrade Fernandes, após suspeitas de flagrante forjado por policiais.
  • Imagens de uma operação policial levantaram dúvidas sobre a atuação de três policiais civis, resultando na fuga de dois e prisão de um.
  • O Ministério Público apontou inconsistências nas gravações da operação, questionando a apreensão de drogas na casa dos investigados.
  • Os investigados devem cumprir determinações judiciais, podendo ser presos novamente se descumprirem as medidas; a investigação sobre a atuação policial continua.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Polícia Civil de Minas Gerais informa que a Corregedoria-Geral de Polícia Civil investiga os fatos
A Polícia Civil de Minas Gerais informa que a Corregedoria-Geral de Polícia Civil investiga os fatos Reprodução/RECORD Minas

A Justiça de Minas Gerais determinou a soltura de Bruno Gleidson Fernandes e Matheus Bruno Andrade Fernandes, pai e filho presos durante uma operação da Polícia Civil no bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A decisão atende a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), após o surgimento de suspeitas de que policiais teriam tentado plantar drogas na residência da família.

Os dois foram presos durante uma operação realizada em 7 de agosto. O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens registradas pela câmera de uma investigadora. As gravações levantaram suspeitas sobre a atuação de três policiais civis envolvidos na ação. Dois deles estão foragidos e um terceiro foi preso.


Na decisão, a juíza Fernanda Chaves Carreira Machado, da 1ª Vara das Garantias da Comarca de Belo Horizonte, revogou a prisão preventiva dos investigados e determinou a expedição imediata dos alvarás de soltura.

Suspeitas na apreensão da droga

Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa da família, os policiais localizaram, no quarto de Matheus, uma pistola Glock calibre 9 mm adaptada com um dispositivo que permite disparos em rajada, além de munições, rádios comunicadores e um tablete de maconha.


No entanto, a forma como a droga foi encontrada passou a ser questionada pela defesa e pelo Ministério Público.

Segundo o parecer do MPMG, as imagens da operação entregues à Justiça apresentam cortes e não registram toda a busca de maneira contínua, apesar de uma determinação judicial para que o procedimento fosse filmado integralmente.


O documento aponta que, após a localização da arma, os policiais chegaram a afirmar que o quarto de Matheus estava “limpo”. Posteriormente, um dos investigadores retornou sozinho ao cômodo e encontrou um tablete de maconha sobre uma sapateira aberta.

Nenhuma testemunha civil estava no quarto no momento da apreensão da droga.


O Ministério Público também destacou que, no início das gravações, o policial que posteriormente encontrou a maconha apresentava um volume suspeito na região da calça. Uma testemunha confirmou ter acompanhado a localização da arma, mas afirmou não ter presenciado a apreensão do entorpecente.

As circunstâncias da operação são investigadas pela Corregedoria da Polícia Civil.

O que diz a decisão da Justiça

Ao analisar a situação de Bruno, a magistrada considerou que não havia elementos suficientes para indicar que ele tinha conhecimento ou relação com os materiais encontrados no quarto do filho.

Segundo a decisão, o fato de pai e filho morarem na mesma residência não é suficiente para presumir o envolvimento de Bruno nos crimes investigados.

“A fragilidade dos elementos que indicam o envolvimento do investigado Bruno Gleidson Fernandes com o armamento e as drogas apreendidos permite concluir, nesse momento processual, que a prisão cautelar não se mostra indispensável”, destacou a juíza.

Em relação a Matheus, a magistrada considerou que existem indícios mais consistentes relacionados à posse da arma de fogo. No entanto, levou em conta o fato de ele ser réu primário e as dúvidas sobre a apreensão da maconha.

Diante das inconsistências apontadas pelo Ministério Público, a Justiça entendeu que os dois podem responder ao processo em liberdade.

Pai e filho deverão cumprir medidas cautelares

Apesar da revogação da prisão preventiva, os investigados deverão cumprir determinações judiciais, como manter endereço e telefone atualizados e comparecer aos atos do processo.

O descumprimento das medidas poderá resultar em uma nova decretação de prisão preventiva.

A decisão não representa absolvição dos investigados. As suspeitas relacionadas à apreensão da droga e à atuação dos policiais continuam sob apuração.

*Estagiária sob supevisão de Ricardo Vasconcelos

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