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Justiça suspende cláusulas de contratos de vítimas de Mariana

Cobrança de honorários sobre indenizações já obtidas no Brasil e imposição de foro estrangeiro estão entre os itens suspensos

Minas Gerais|Da Agência Brasil

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Decisão afirmou que cláusulas contratuais estabelecidas em Londres não têm validade
Segundo decisão, cláusulas contratuais estabelecidas em Londres não têm validade Antônio Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A Justiça Federal em Minas Gerais concedeu liminar que suspende cláusulas de contrato dos escritórios que representam pessoas atingidas pelo rompimento da barragem de rejeitos da Samarco Mineração S.A. em Mariana (MG) em 2015. A 13ª Vara Federal Cível de Belo Horizonte entendeu que as práticas são “abusivas” e atendeu à demanda do Ministério Público Federal (MPF).

Conforme a decisão, estão suspensas cláusulas de contrato como a cobrança de honorários sobre indenizações já obtidas no Brasil, a imposição de foro estrangeiro e a restrição à liberdade de acordo ou desistência do processo dos escritórios Felipe Hotta Sociedade Individual de Advocacia e Pogust Goodhead Law (Inglaterra), com quem o escritório brasileiro mantém “colaboração institucional”. Cabe recurso da liminar.


RESUMO DA NOTÍCIA

  • A Justiça Federal em Minas Gerais suspendeu cláusulas de contratos de escritórios que representam vítimas do rompimento da barragem da Samarco em 2015.
  • Foram consideradas abusivas as cobranças de honorários sobre indenizações já recebidas e cláusulas que impõem foro em Londres.
  • A decisão foi baseada na hipervulnerabilidade das vítimas, segundo a juíza federal Fernanda Martinez Silva Schorr.
  • O escritório Pogust Goodhead representa mais de 600 mil pessoas afetadas, com ações na Justiça britânica contra a BHP Billiton.

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A Justiça determinou que os dois escritórios não façam publicidade que desestimule a adesão aos programas de indenização brasileiros, e ordenou que os honorários sobre indenizações brasileiras sejam depositados em conta judicial.

Proteção especial

De acordo com a juíza federal substituta Fernanda Martinez Silva Schorr, é competência da Justiça brasileira julgar o caso, e que, portanto, não têm validade cláusulas contratuais estabelecidas pelos escritórios de advocacia que previam foro em Londres (Inglaterra).


Em seu julgamento, a juíza aplicou o Código de Defesa do Consumidor - reconhecendo “hipervulnerabilidade” das pessoas atingidas e a necessidade de proteção especial.

Além do MPF, assinam a ação a Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais; o Ministério Público do Estado de Minas Gerais e o Ministério Público do Estado do Espirito Santo.


Entenda o caso

O rompimento da barragem de rejeitos de mineração, conhecida como “Fundão”, ocorreu em 5 de novembro de 2015 no distrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro de Mariana. A barragem era controlada pela Samarco Mineração S.A.

Saiba mais

O desastre causado pela mineradora teve o maior impacto ambiental da história brasileira e o maior do mundo, se consideradas as barragens de rejeitos. Sessenta e dois milhões de metros cúbicos de rejeitos em lama foram despejados e atingiram a bacia hidrográfica do rio Doce, que abrange 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.


O escritório Pogust Goodhead Law Ltd faz a representação de mais de 600 mil pessoas e mais de 45 prefeituras de municípios atingidos pelo rompimento da barragem na Justiça britânica contra a multinacional anglo-australiana BHP Billiton, sócia da brasileira Vale na Samarco.

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