‘Minha mulher e meu filho não voltam mais’, lamenta homem que perdeu família em queda de passarela
Os dois morreram após o desabamento da estrutura; mãe acompanhava o filho em viagem à trabalho
Minas Gerais|Raquel Penaforte e Kiuane Rodrigues, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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“Não vai trazer minha mulher e nem meu filho. A minha mulher e meu filho não voltam mais.” O desabafo é de Joaquim Quaresma, marido de Rosângela Carlos Soares Chaves, de 63 anos, e pai de Douglas Soares Quaresma, de 40. Os dois morreram após um caminhão atingir uma passarela, que desabou sobre o carro em que eles estavam na Rodovia Fernão Dias, em Vargem, no interior de São Paulo, nessa terça-feira (18).
Em entrevista exclusiva à RECORD Minas, Joaquim contou que mãe e filho saíram de Belo Horizonte por volta das 5h30. Douglas viajaria para uma feira do setor de óculos, em São Paulo, e convidou a mãe para acompanhá-lo.
“Eles combinaram no dia anterior. Meu filho perguntou: ‘Mãe, você quer ir comigo?’. Ela respondeu: ‘Eu vou, que eu vou passear’. E eles foram, mas ficaram no meio do caminho”, lamentou.
Rosângela era cabeleireira e trabalhava em um salão recém-inaugurado no bairro Padre Eustáquio, na região Noroeste de Belo Horizonte. Segundo o marido, ela era uma mulher alegre e muito querida por clientes, amigas e colegas da igreja.
“Ela era bastante alegre. As amigas dela lá do Padre Eustáquio já vieram aqui. Um bocado de amigas, colegas da igreja e clientes”, contou.
O marido e pai das vítimas soube pela imprensa que uma passarela havia caído na Fernão Dias e que duas pessoas tinham morrido. Naquele momento, chegou a pensar na possibilidade de a mulher e o filho estarem envolvidos, mas tentou afastar a ideia.
“Às 11h e pouco, eu ouvi sobre o acidente, que uma passarela tinha caído em São Paulo e duas pessoas tinham morrido. Eu imaginei e falei: ‘Não pode ser minha mulher e meu filho. Não pode ser’”, relembrou.
A confirmação veio mais tarde, durante o horário do almoço. Joaquim, que trabalha como motorista, levava um passageiro ao bairro Padre Eustáquio quando recebeu uma ligação pedindo que alguém da família comparecesse à cidade onde o acidente aconteceu.
“Na mesma hora, eu falei: ‘Não, não pode. Não pode ser meu filho e minha mulher’. Mas eram eles. Infelizmente, eram eles”, disse.
Questionado sobre a responsabilização pelo acidente, Joaquim afirmou que nenhuma medida será capaz de reparar a perda da família.
“Houve um causador, sim. Pode ser que alguma coisa seja feita, mas não vai trazer minha mulher e nem meu filho. Isso vai ficar para outra esfera, porque a minha mulher e meu filho não voltam mais”, afirmou.
Segundo a concessionária Motiva Minas_SP, o acidente aconteceu por volta das 10h24, no km 4 da Fernão Dias. Um caminhão bateu contra a passarela, que caiu sobre a rodovia e atingiu o veículo ocupado pelas vítimas. Uma terceira pessoa foi avaliada pelas equipes de atendimento.
A queda da estrutura provocou a interdição completa da rodovia nos dois sentidos e congestionamentos que chegaram a 26 quilômetros. Cinco guindastes, dois guinchos e equipes operacionais, de pavimentação e de engenharia elétrica participaram da retirada das vigas.
A pista no sentido São Paulo foi totalmente liberada às 19h54. Já o sentido Belo Horizonte foi reaberto às 22h34. A Polícia Civil foi procurada para informar as circunstâncias da ocorrência e o andamento das investigações, mas ainda não havia se manifestado.
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