Morador tem casa pichada com ataques racistas há três meses
Vítima alega que polícia da Grande BH teria se negado a aceitar denúncia
Minas Gerais|Maria Clara Prates, do R7

Um morador do bairro Sevilha A, em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, vem sofrendo seguidos ataques racistas há pelo menos três meses.
O muro da casa dele traz várias pichações de intolerância racial.
Revoltados, moradores e vizinhos da região estão mobilizados para promover uma manifestação para cobrar providências e apoiar o vizinho. Eles vão sair às ruas neste sábado (12), com faixas e cartazes de repúdio.
O estivador Ivan Ferreira de Oliveira, de 40 anos, disse que não sabe explicar por que vem sendo sistematicamente atacado. “Não tenho inimigos e nem minha família”, afirmou. Segundo ele, foram cinco pichações em apenas três meses, todas de cunho racista.

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A última foi nesta quinta-feira (11) e trouxe os dizeres: “Escravos à venda”. Mas o muro mostra a intolerância também em outras pichações como: “Senzala” e “Voltem para a África”. A primeira delas traz em letras garrafais: “Negros Imundos”. De acordo com moradores da rua ouvidos pelo R7, cada mão de tinta que o estivador aplica no muro significa o prenúncio de novo ataque.
Medo
Oliveira diz que a família, suas três filhas e a mulher, além de um menino de 2 anos, estão apavorados com os ataques. “Nós temos medo também de haver agressões físicas”, revelou. O estivador disse estar mais preocupado ainda porque não consegue fazer uma ocorrência policial.
Por duas vezes, a última nesta quinta-feira, a vítima dos ataques alegou que procurou a Delegacia de Polícia Civil da cidade e não teve o caso registrado. “Eles me falam que para que iniciem a investigação eu tenho que levar o nome de um suspeito. Tenho as fotos, mas eles dizem que só com o nome”, relatou.
Diz ainda que foi advertido que se apresentar um nome e a pessoa não for o culpado também pode ser processado por calúnia. “Não sei mais o que fazer”, desabafou.
A Polícia Civil de Minas informou, por meio de sua assessoria de comunicação, que está apurando a responsabilidade pela ausência do registro da ocorrência, que será providenciada ainda na manhã de sexta-feira (12). Disse ainda que depois do registro, vai providenciar a perícia no local, para dar início às investigações.
É para tentar impedir novo ataques que moradores e amigos estão se organizando para cobrar providências e apoiar o amigo. A vizinha de Ivan, Jeanne Cristina Santos, uma das organizadoras, diz que o estivador é um homem trabalhador, afável e muito querido entre os vizinhos. “Não achamos justo o que ele está passando. Queremos apoiá-lo”, afirmou.















