MP denuncia técnico de escola de futebol de Pompéu (MG) por injúria racial
O homem teria atacado um adolescente de Sete Lagoas (MG) por meio de mensagens em rede social; 'Até preto você é', escreveu
Minas Gerais|Lucas de Carvalho*, da Record TV Minas

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu uma denúncia à Justiça contra o técnico de futebol de um clube de Pompéu, a 168 km de Belo Horizonte, por injúria racial.
O homem é acusado de ter enviado mensagens de cunho racista, aporofóbico (preconceito contra pessoas com baixo poder aquisitivo) e gordofóbico contra um adolescente que participava de um torneio na cidade.
•Compartilhe esta notícia no WhatsApp
•
O caso aconteceu em junho deste ano, quando ocorreu a etapa microrregional do JEMG (Jogos Escolares de Minas Gerais), promovido pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), por meio da Subsecretaria de Esportes, e pela Secretaria de Estado de Educação (SEE).
Uma ação civil pública já era movida pela Promotoria de Pompéu contra a Aesge (Associação Esporte Solidário Gustavo Elias), da qual o denunciado era presidente e administrador. Na ação, constava, entre outras coisas, um pedido de condenação por danos morais coletivos no valor de R$150 mil e dissolução da pessoa jurídica.
As mensagens foram enviadas por meio de um perfil da Aesge em rede social. Nelas, o autor respondia a uma provocação feita pelo morador de Sete Lagoas, que havia jogado na cidade.
O técnico abriu um dos áudios falando mal da cidade vizinha: “Esse trem de Sete Lagoas que parece um córrego”. Em seguida, ele aumentou as ofensas. "Você está ficando maluco. Ficar falando de clube de outras pessoas? Você está achando que é quem? Até preto você é. Gordo. Desce aqui em Pompéu para falar do meu clube. Você não é homem? Sai da internet e vem aqui", disse. "Você deve passar fome até em casa", completou.
De acordo com o MPMG, um dia depois de ter enviado as ofensas racistas e preconceituosas ao aluno, o técnico ainda foi ao local onde estava alojada a equipe de uma escola estadual de Sete Lagoas e tentou coagir a treinadora da equipe de handebol do educandário, que havia sido chamada a depor como testemunha.
Ao pedir a condenação do técnico por injúria racial — com agravante de o fato ter sido permeado por contexto de esporte recreativo —, coação no curso do processo e constrangimento ilegal, o MPMG requereu o pagamento de R$ 40 mil às vítimas e o bloqueio da quantia nas contas bancárias do denunciado, além de suspensão cautelar do perfil da associação no Instagram.
Agora, caberá à Justiça aceitar a denúncia e seguir com o processo. Em caso de condenação, as penas podem chegar a 12 anos e seis meses de prisão, além do pagamento de multa, em valor a ser fixado pelo juízo de forma independente da reparação civil solicitada.
A reportagem tenta contato com a defesa do acusado. Na época do ocorrido, o técnico Francisco Júnior Corrêa Mota havia alegado que espera que "tudo venha [a] ser esclarecido com o tempo". "Jamais foi do meu perfil, ou da minha intenção causar ofensas ou menosprezar qualquer pessoa, muito menos racialmente", escreveu ele em um comunicado.
Veja as mensagens que teriam sido enviadas pelo denunciado ao adolescente:
* Estagiário sob supervisão de Pablo Nascimento















