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Mulher é demitida após acusação de injúria racial contra garçom que denunciou chefe em BH

O rapaz teria procurado Vânia Beatriz Takahashi para relatar o episódio com a dona do restaurante e foi repreendido

Minas Gerais|Arnon Gonçalves*, do R7

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Jovem foi repreendido por usar tranças no cabelo
Jovem foi repreendido por usar tranças no cabelo

Um restaurante de comida japonesa confirmou a demissão de uma mulher do setor administrativo que teria cometido injúria racial contra um garçom do local, no último sábado (19), na região da Savassi, em Belo Horizonte. Além da mulher, a dona do estabelecimento também é acusada de ter expulsado o jovem após ele chegar com tranças no cabelo.

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O caso veio à tona depois que o garçom, Higor Antero dos Santos, de 25 anos, divulgou um vídeo em suas redes sociais para denunciar o ocorrido. Ele contou que foi expulso pela dona do restaurante em que trabalhava após chegar ao local com o cabelo trançado.


Além disso, ao relatar o episódio a Vânia Beatriz Takahashi, que trabalhava no setor administrativo da empresa, ele teria sido questionado se estava “na feira hippie” e ouvido da mulher que ele "trabalha com japonês, não com brasileiro, que é oba, oba". Em nota, o restaurante disse que a pessoa que realizou as trocas de mensagem com o garçom se encontra com o contrato de prestação de serviços cancelado.

Foi dito, ainda, que o garçom não foi mandado embora por causa das tranças e que ninguém teria gritado com ele. “Ele foi advertido de que com as tranças soltas ele não poderia trabalhar no salão, uma vez que o restaurante segue as normas e deliberações da vigilância sanitária”, diz a nota.


Higor Antero disse que contratou um advogado e registrou um boletim de ocorrência em uma delegacia especializada em crimes de racismo e injúria racial. O jovem também vai ajuizar uma ação contra o restaurante.

Em nota, a assessoria do estabelecimento afirmou que "a empresa repudia qualquer ato dessa natureza, sobretudo por sua origem oriental. O restaurante tem mais de 50% de negros em seu quadro de colaboradores e segue todas as normas e deliberações da vigilância sanitária".


O restaurante afirmou ainda que "a conversa apresentada pelo colaborador não foi realizada com a administração ou pessoas que respondem pelo estabelecimento legalmente. Portanto, o fato está sendo apurado internamente com todo o respeito a cultura étnica".

Entenda o caso

Higor conta que no último sábado (19), pela manhã, foi trabalhar normalmente no restaurante com o novo penteado. "Quando minha chefe me viu, ela já falou que eu não trabalharia no salão, servindo as mesas. Não levei a sério, mas, quando entrei na cozinha, ela repetiu que não me deixaria trabalhar com o cabelo com as tranças e completou dizendo que daqui a pouco eu ia querer 'trabalhar do jeito que quisesse'", detalha o jovem.

O jovem procurou o setor administrativo da empresa, e a responsável perguntou se ele trabalhava "na feira hippie", também fazendo críticas ao penteado. Nas mensagens enviadas pela colaboradora, ela escreveu: "Onde você está com a cabeça de colocar trança no cabelo e ir trabalhar?"; "Você trabalha com japonês, não com brasileiro, que é oba, oba"; "Se não perder o emprego, está ótimo". A mulher disse também que ele só poderia trabalhar se retirasse as tranças.

*Estagiário sob a supervisão de Maria Luiza Reis

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