PM nega ter coagido testemunha que viu militares matarem menor
Adolescente afirmou que foi obrigado a "ensaiar" uma versão com os policiais
Minas Gerais|Do R7, com Record Minas

A Polícia Militar negou nesta quinta-feira (17) ter coagido um adolescente que viu um menor ser morto por dois oficiais da corporação. O garoto, de 14 anos, foi assassinado com um tiro nas costas durante uma ocorrência no bairro Pompeia, na região leste de Belo Horizonte.
O corregedor da PM, coronel Renato Carvalhais, afirmou que o jovem, de 17 anos, foi encaminhado à sede do 22º batalhão apenas como testemunha. O adolescente disse que foi orientado pelos militares à dizer em seu depoimento que teria ouvido apenas dois tiros, o que também foi registrado no Boletim de Ocorrência. No entanto, a testemunha teria escutado cinco disparos.
— A polícia não esconde nada e pretende dar uma resposta o mais breve possível para a população.
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Além da própria corregedoria, o Ministério Público e a Polícia Civil estão apurando o ocorrido. Conforme o coronel, caso a investigação aponte que houve homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar, os dois militares presos vão a júri popular. Se o crime for culposo, sem intenção, a Justiça Militar será responsável pela pena.
O sargento Luciano de Abreu Ramos, de 41 anos, e o cabo Ricardo Costa de Andrade, de 38, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça nesta quinta. Eles já estavam detidos desde a data do crime na sede do 22º Batalhão.
Segundo a decisão da juíza Paula Murça Machado Rocha Moura, a prisão dos policiais é necessária em razão da gravidade do crime e da possibilidade de eles interferirem na coleta de provas sobre caso.
Entenda
Na última segunda-feira (14), um adolescente de 14 anos foi morto por militares durante patrulhamento no bairro Pompeia. Conforme o Boletim de Ocorrência registrado pela PM, o menor teria reagido a uma tentativa de abordagem e também teria sacado uma réplica de pistola e apontado em direção aos dois policiais.
Foi neste momento que os militares teriam atirado em direção ao adolescente. No entanto, ele foi atingido nas costas. Silva chegou a ser socorrido até o Hospital de Pronto-Socorro João 23, mas não resistiu ao ferimento e morreu durante a madrugada de terça-feira.
Um adolescente que teria presenciado o crime, no entanto, contou uma versão à Polícia Civil, diferente da registrada pelo BO. Em depoimento na sede da CIA (Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional) ele disse que, após o crime, foi levado à sede do 22º Batalhão da PM, o que é proibido pela Justiça em caso de apreensão de menores.
Além disso, o jovem contou que foi orientado pelos militares à dizer em seu depoimento que teria ouvido apenas dois tiros, o que também foi registrado no Boletim de Ocorrência. No entanto, a testemunha teria escutado cinco disparos.
Também há dúvidas em relação ao horário do crime. No Reds (Registro de Evento de Defesa Social) referente ao caso, o horário informado pela PM de início da ocorrência é 3h24 de terça-feira (15). A entrega do REDS à Polícia Civil ocorreu às 5h46. Já o BO, segundo a PM, teria sido feito às 0h28. Já Silva deu entrada no Hospital João 23 às 23h55.















