Polícia encontra substância tóxica em tanque de cervejaria em BH

Laudos apontam que mais um lote da cerveja Belorizontina está contaminado com dois anticongelantes; polícia investiga ligação com doença misteriosa

Divulgação/Backer

A Polícia Civil informou, na manhã desta segunda-feira (13), que encontrou resquícios do anticongelante dietilenoglicol em um tanque da Backer que é usado no resfriamento de cervejas produzidas pela empresa.

O composto químico foi encontrado no sangue de quatro pessoas que foram contaminadas com uma doença misteriosa em Minas Gerais. Entre elas, está o homem de 55 anos que morreu por complicações no quadro de insuficiência renal e alterações neurológicas.

Desde o início das investigações sobre o caso, a Backer alegou que não usa o composto químico em sua produção. O delegado Flávio Grossi, responsável pela condução dos trabalhos, diz que agora analisa como o produto foi parar dentro da empresa, que apresentou notas fiscais apenas da substância conhecida como dietilenoglicol.

Os laudos já apontavam a presença de dietilenoglicol, que é tóxico à saúde humana, no lote L1 e L2 1348. Agora, o mesmo produto foi achado no lote L2 1354. Os novos resultados indicam que o monoetilenoglicol também está presente nos lotes.

Até o momento, sabe-se que as garrafas com os líquidos contaminados foram distribuídas para a região metropolitana de Belo Horizonte, São Paulo, Espírito Santo, Brasília e outras regiões de Minas. Segundo a Polícia Civil, o produto em alguns Estados é vendido com o nome "Capixaba" e há garrafas deste rótulo também contaminadas. Os peritos destacam que embora os rótulos das marcas sejam diferentes, o líquido da "Belorizontina" e da "Capixaba" é o mesmo.

O número de pessoas possivelmente contaminadas atualmente é de 11, mas segundo a Polícia Civil, ele pode chegar a 21 após a conclusão de análises das equipes de saúde. Nem todos eles teriam se intoxicado no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte.

A reportagem aguarda posicionamento da Backer sobre os resultados dos laudos. A empresa já havia explicado que não usa o dietileno em seu processo de produção. 

Especialistas ouvidos pelo R7 explicam que, em condições ideais, os anticongelantes não encontram com a cerveja nos processos de produção. Isso só acontece se tiver ocorrido alguma falha. A polícia não descatou a possibilidade de uma sabotagem. A investigação sobre o assunto, contudo, ainda segue em sigilo.