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Prefeito de Sete Lagoas (MG) renuncia ao cargo e vice assume

“Governar tornou-se quase uma missão impossível”, disse Leone Maciel em carta; ele alega que crise econômica do Estado gerou problemas políticos

Minas Gerais|Pablo Nascimento com Lucas Pavanelli, do R7

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Maciel já foi condenado por abuso de poder econômico
Maciel já foi condenado por abuso de poder econômico

Leone Maciel (sem partido), prefeito de Sete Lagoas, a 70 km de Belo Horizonte, protocolou na Câmara de Vereadores, na manhã desta quinta-feira (7), uma carta de renúncia ao cargo. 

O documento será lido pelo presidente da Casa, Cláudio Caramelho (PRB), em reunião durante a tarde, quando será declarada a vacância do cargo. Com o abandono da cadeira, o vice-prefeito, Duílio de Castro (Patriota), assume o comando da cidade.


Na carta, Maciel diz que Sete Lagoas passa por um momento difícil e que “governar tornou-se quase uma missão impossível”. O ex-prefeito culpa a "irresponsabilidade do Estado" pela situação de crise econômica vivida pela prefeitura da cidade. Segundo ele, o Governo de Minas Gerais "confiscou mais de R$ 125 milhões de Sete Lagoas".

“Desde que os repasses começaram a ser retidos, todo o planejamento do governo foi inviabilizado. Com recursos próprios, assumimos custos não previstos, principalmente, nas áreas de educação e da saúde para que a população não ficasse sem atendimento”, diz no texto.


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O agora ex-prefeito de Sete Lagoas ainda diz que da crise econômica resultou uma crise política.

“Venho sofrendo calúnias, difamações e até mesmo ataques pessoais diante de um problema criado diretamente pelo governo estadual. Sempre fui homem de palavra e cumpri com minhas promessas, não posso deixar que a falta de compromisso do Estado e de todos aqueles que o representa apague uma história de trabalho árduo e honesto por Sete Lagoas”, completa


Em resposta, o Governo de Minas Gerais afirmou que, neste ano, já repassou R$ 4,7 bilhões referentes à cota-parte de ICMS, IPVA e Fundeb destinados aos municípios mineiros. E que a Secretaria de Estado da Fazenda negocia um acordo junto à AMM (Associação Mineira de Municípios) para pagamento de "valores não repassados pela gestão anterior".

Leone Maciel foi eleito para o segundo mandato como prefeito da cidade em 2016, com 50.698 votos. O político já foi vereador da cidade por 20 anos, sendo que durante 10 presidiu a Câmara de Vereadores.


Cassação

Em dezembro de 2018, TRE (Tribunal Regional Eleitoral) cassou os mandatos de Maciel e do vice, Duílio de Castro, por abuso de poder econômico durante a campanha eleitoral de 2016. A decisão cabe recurso no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A ação de uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder econômico foi movida pelo então candidato à prefeitura, o empresário Emílio de Vasconcelos Costa.

No processo, Costa alegou foram distribuídos gratuitamente exemplares de um jornal com reportagem que o difamava, às vésperas da eleição. Segundo o empresário, o fato influenciou o resultado do pairo.

Cargos

Em janeiro deste ano, Maciel nomeou à administração municipal sua mulher, o genro e mais 336 cargos de confiança, entre janeiro e fevereiro, mesmo tendo decretado estado de calamidade financeira do município apenas dois meses antes.

Cristiane Alves Teixeira foi indicada para o cargo de Secretária Municipal Particular do Prefeito, o genro Vitor Dias Campos para Secretário de Obras, Infraestrutura e Políticas Urbanas e o concunhado Magnus Eduardo Oliveira da Silva para Secretário Municipal de Saúde.

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