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Roger Waters no Mineirão é clássico para 50 mil

Hinos do Pink Floyd arrebatam fãs em show com música impecável, efeitos visuais e porco inflável gigante

Minas Gerais|Enzo Menezes, Da RecordTV Minas

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"Olê olê olê olê Roger, Roger": foi como o Mineirão se despediu de Roger Waters depois de quase três horas de show neste domingo (21) em Belo Horizonte. Ele deixou o palco visivelmente emocionado com a reação do público, que cantou a plenos pulmões todos os clássicos do Pink Floyd no Gigante da Pampulha. O maior telão que o Mineirão já viu - 60 metros de largura - alterna efeitos, cores delirantes e imagens de líderes mundiais sorridentes e bombardeios. O público, arrebatado, canta hinos do rock progressivo com até 10 minutos de duração, algo surreal numa época de mensagens instantâneas e refrões curtos.

Waters seguiu os temas que são base de sua obra há 40 anos e levantou os fãs, que pagaram até R$ 720 pelo ingresso. O britânico de 75 anos, que perdeu o pai e o avô em batalhas nas duas Guerras Mundiais, construiu alguns dos discos mais importantes da história do rock com letras pacifistas - a atual turnê se chama "Us and Them" (nós e eles), título de uma música antiga cuja letra fala justamente sobre guerras.


Waters sabe que conduz a plateia em alguma dimensão que não é apenas um show. Nas últimas músicas, um jogo de luzes forma um prisma gigante na plateia, recriando a capa do icônico álbum "The Dark Side of The Moon"; vídeos de bombardeios e de crianças revirando montanhas de lixo enquanto os presidentes mais ricos do mundo sorriem ao som de "Money"; mensagens contra a vigilância onipresente do Facebook. Tudo faz parte de um contexto grandioso e coerente na obra do britânico.

Quando um porco inflável gigante passeia sobre o público em "Pigs" o público extasiado dá as costas para o palco instintivamente enquanto Waters e banda se divertem com passagens instrumentais. A canção integra o disco "Animals", de 1977, inspirado em uma fábula de George Orwell que diz que chegamos ao ponto em que "é impossível distinguir quem é homem e quem é porco".


Para "Another Brick in the Wall", a música mais conhecida por não-fãs de Pink Floyd, Waters leva ao palco crianças das cidades por onde toca. Doze meninas e meninos de uma escola municipal de BH aparecem vestidos com macacões de prisioneiros e um saco preto na cabeça; no refrão, arrancam os uniformes e dançam e brincam no palco, no momento mais emocionante da noite.

O setlist em BH repetiu o show de Salvador em 17 de outubro: das 22 músicas, 16 são dos três discos mais conhecidos do Pink Floyd ("Dark side of the Moon "Animals" e "The Wall". São quatro canções do disco solo recém-lançado ("Is This the Life We Really Want?"), uma de "Meddle" ("One of These Days") e uma surpresa: "Two Suns in the Sunset", do disco "Final Cut", que Waters revelou ter tocado pela primeira vez ao vivo em Salvador.

Em ótima forma, Waters e os músicos que o acompanham recriam as texturas sonoras e os arranjos originais de cada música, uma tarefa que parece impossível mas vira jogo fácil no sistema de som estrategicamente espalhado pelo Mineirão. Gol que merece placa no Museu do Futebol ali ao lado. Waters deixa o palco extasiado. Reclamar desta coerência é tão estranho quanto discordar quando Cruzeiro x Atlético jogam de azul e preto.

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