Ministério Público vai investigar sumiço e reaparecimento de ponte ferroviária do século 19 em MG
Apuração busca identificar possíveis danos ao patrimônio cultural, histórico e ambiental causados pela remoção da ponte
Minas Gerais|Do R7, com Matheus Trindade*, da RECORD Minas
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um inquérito civil para investigar a retirada de uma ponte ferroviária metálica do século 19 localizada na zona rural de Prados, no Campo das Vertentes,a 181 km de Belo Horizonte. A estrutura histórica, considerada um bem de relevante interesse cultural para Minas Gerais, foi encontrada nesta semana em um empreendimento turístico em Lima Duarte, na Zona da Mata, a cerca de 180 quilômetros do local de origem.
Segundo o MPMG, a apuração busca identificar possíveis danos ao patrimônio cultural, histórico e ambiental causados pela remoção da ponte, que integrava um antigo trecho da Ferrovia Oeste de Minas.
A abertura do procedimento ocorreu logo após a Promotoria de Justiça de Prados tomar conhecimento do desaparecimento da estrutura. Entre as primeiras medidas adotadas estão pedidos de informações à Polícia Civil, à Prefeitura de Prados e à Superintendência do Patrimônio da União em Minas Gerais (SPU-MG), responsável por esclarecer a titularidade e a situação jurídica do bem.
Além disso, o Ministério Público solicitou apoio técnico especializado para avaliar os danos causados ao patrimônio e definir quais medidas poderão ser adotadas para reparação.
Ponte foi localizada em empreendimento turístico
Após as investigações iniciais, a ponte foi encontrada no distrito de Mogol, zona rural de Lima Duarte, dentro da área do empreendimento Ibiti Projeto.
De acordo com a Polícia Civil, os responsáveis pelo local informaram que a estrutura teria sido adquirida de um fazendeiro por meio de um intermediador. A corporação ainda apura as circunstâncias da negociação.
O MPMG requisitou ao empreendimento a apresentação de documentos relacionados à compra da ponte, incluindo contratos, notas fiscais, comprovantes de transporte e a identificação de todas as pessoas envolvidas na retirada e deslocamento da estrutura.
Polícia investiga possível furto
A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o que inicialmente foi tratado como furto de patrimônio público. Segundo a investigação, a ponte possuía aproximadamente 20 metros de comprimento por cinco metros de largura e era composta por ferro maciço.
Os levantamentos apontam que foram utilizados equipamentos e maquinários de grande porte para cortar e transportar a estrutura. Os investigadores também identificaram a obstrução da estrada de acesso ao local onde a ponte estava instalada, circunstância que pode indicar planejamento prévio da ação.
A perícia esteve na área e os trabalhos continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a dinâmica da remoção.
Possível dano ambiental também será apurado
Outra frente de investigação envolve possíveis impactos ambientais provocados pela retirada da ponte.
O Ministério Público determinou que a Polícia Militar de Meio Ambiente realize uma vistoria urgente na área onde a estrutura estava instalada para verificar eventual intervenção irregular em Área de Preservação Permanente (APP), movimentação de solo ou supressão de vegetação.
Segundo o órgão, as medidas visam avaliar não apenas os danos ao patrimônio histórico, mas também eventuais prejuízos ambientais decorrentes da operação.
Empreendimento diz que compra foi regular
Em nota, o Ibiti Projeto informou que adquiriu a ponte de forma regular junto a um comerciante do ramo de antiguidades, mediante emissão de nota fiscal e demais documentos pertinentes.
A empresa afirmou ainda que o transporte ocorreu com as autorizações exigidas pelos órgãos competentes e que procurou espontaneamente as autoridades após tomar conhecimento dos questionamentos sobre a origem da estrutura.
O empreendimento declarou ter fornecido toda a documentação disponível e ressaltou que atua com foco na preservação ambiental, histórica e cultural.
Ponte pode voltar para Prados
O Ministério Público informou que acompanha paralelamente as investigações criminais e que, na esfera cível, poderá adotar medidas para garantir a reparação dos danos eventualmente identificados.
Entre as possibilidades está a restituição da ponte ao local de origem, caso a medida seja considerada juridicamente e tecnicamente viável.
Enquanto as investigações avançam, o caso segue mobilizando moradores, ciclistas e autoridades da região, que veem na estrutura um importante símbolo da memória ferroviária e da história de Minas Gerais.
*Estagiário sob supervisão de Stephanie Lisboa
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