‘Só quero enterrar meu filho’: pai de bebê morto em BH diz que não consegue retirar corpo do IML
O pai do pequeno Gael Vidal dos Santos descobriu a morte da criança pelo rádio
Minas Gerais|Rosildo Mendes, da Record Minas

O pai biológico do bebê Gael Vidal dos Santos, de 1 ano e 8 meses, que foi levado morto à UPA Oeste, em Belo Horizonte, vive um drama duplo: além da perda do filho, ele não consegue liberar o corpo para o enterro.
Warley Carlos dos Santos, de 48 anos, conta que descobriu a morte do filho ao ouvir uma reportagem em uma rádio. Ao reconhecer o nome da criança, procurou o Instituto Médico Legal (IML), onde teve a confirmação.
Segundo ele, a liberação do corpo não foi possível porque a mãe da criança, que está presa, se recusa a fornecer os documentos necessários para a emissão do atestado de óbito.
“Eu só quero enterrar meu filho, mas não sei o que fazer”, desabafa.
Warley também afirma que tem outro filho com a mulher e que a criança foi levada para um abrigo. No entanto, ele diz que ainda não foi informado sobre o local para onde o menino foi encaminhado.
A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu em flagrante a mãe, de 26 anos, e o padrasto, de 32, suspeitos pela morte do bebê.
Entenda o caso
A criança deu entrada na UPA Oeste na noite de terça-feira (7), já sem vida, apresentando diversos hematomas pelo corpo, além de sinais de desnutrição.
Inicialmente, o padrasto alegou que o bebê teria se engasgado, mas exames realizados no IML apontaram uma causa muito mais grave: trauma abdominal severo, com perfuração intestinal e hemorragia interna, lesões incompatíveis com a versão apresentada.
De acordo com a Polícia Civil, o padrasto foi autuado por homicídio qualificado, por motivo torpe e meio cruel, com agravante pela vítima ser menor de 14 anos. Já a mãe responde por maus-tratos com resultado morte, por omissão.
As investigações apontam que o bebê vivia em um ambiente de violência recorrente.
Testemunhas relataram agressões frequentes contra as crianças, negligência com alimentação e condições precárias de moradia. Há ainda denúncias de que o casal já havia sido expulso de uma comunidade anteriormente por maus-tratos.
Depoimentos também indicam que o padrasto apresentava comportamento agressivo e hostil, com xingamentos e ameaças constantes. Segundo relatos, ele chegou a dizer que desejava a morte da criança.
A Polícia Civil também apura indícios de uso frequente de drogas pelo casal, inclusive durante a gestação. O irmão mais velho da vítima foi encaminhado para um abrigo e o caso dele será investigado separadamente pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Enquanto isso, o pai biológico segue sem respostas e sem conseguir dar um enterro digno ao filho.
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