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Violência em van escolar na Grande BH expõe avanço do bullying entre estudantes no país

Especialista explica sinais de violência entre estudantes, impactos emocionais e a importância de acolher vítimas e lidar com casos que envolvem transtornos como o TOD

Minas Gerais|Cler Santos, do R7.

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Dados divulgados em março de 2026 do IBGE mostram que 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram bullying. Correio do Povo

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um caso de agressão em uma van escolar em Vespasiano reacende o debate sobre bullying entre adolescentes.
  • Dados do IBGE mostram que 39,8% dos jovens de 13 a 17 anos já sofreram bullying no Brasil.
  • Especialistas destacam a importância de identificar sinais de violência e acolher as vítimas no ambiente escolar.
  • A falta de supervisão no transporte escolar e a responsabilidade das instituições são questões criticadas após o incidente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Um caso de agressão entre adolescentes dentro de uma van escolar, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, reacendeu o debate sobre bullying e violência no ambiente educacional — mesmo quando os episódios ocorrem fora da sala de aula. Dados divulgados em março de 2026 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos já sofreram bullying, enquanto 16,6% relatam ter sido fisicamente agredidos por colegas, evidenciando a dimensão do problema no país.

Para a psicóloga infantojuvenil Ana Luísa Bolívar, situações como essa podem ser classificadas como bullying quando há repetição, intenção e desequilíbrio de poder entre os envolvidos. “O bullying é uma continuidade dessa violência dentro do ambiente escolar, marcada por relações de poder e intimidação entre os próprios estudantes. Quando há agressão e indícios de repetição, como nesse caso, é possível caracterizar como bullying escolar”, explica.


Segundo a especialista, identificar os sinais nem sempre é simples. Mudanças de comportamento são os principais alertas para pais e educadores. “Se um adolescente muda de comportamento, fica mais calado, ansioso, tem queda no rendimento escolar ou resistência para ir à escola, isso pode ser um indicativo de que algo está acontecendo”, afirma.

Ela também destaca que a adolescência é uma fase de intensas transformações, o que pode contribuir para conflitos e episódios de agressividade. “Estamos falando de um cérebro em desenvolvimento, com dificuldade de regulação emocional. São muitos fatores (sociais, familiares e internos) que podem levar a comportamentos agressivos”, pontua.


Além disso, a psicóloga chama atenção para a necessidade de inclusão e orientação quando há alunos neurodivergentes, como no caso do Transtorno Opositor Desafiador (TOD). O ambiente escolar deve atuar tanto na proteção quanto na mediação de conflitos. “É fundamental trabalhar habilidades emocionais, promover pertencimento e preparar alunos e profissionais para lidar com as diferenças, garantindo segurança para todos”, ressalta.

Os impactos para a vítima podem ser profundos e duradouros. “A curto prazo, há medo, insegurança e queda da autoestima. A longo prazo, podem surgir ansiedade, agressão e, em casos mais graves, até pensamentos suicidas”, alerta a especialista.


Diante desse cenário, a escola tem papel central na prevenção. “Mesmo quando a situação ocorre fora do espaço físico, como em uma van, existe responsabilidade institucional. É preciso criar espaços de escuta, programas de prevenção e capacitação de alunos e professores”, reforça.

Contexto do caso

Um adolescente de 13 anos foi agredido com 21 socos por outro estudante, de 15 anos, dentro de uma van escolar em Vespasiano, na Grande BH, na tarde dessa quarta-feira (15). A violência foi registrada em vídeo e gerou indignação nas redes sociais.


Segundo a Polícia Militar, as agressões aconteceram no trajeto de volta para casa, após as aulas. O jovem sofreu ferimentos na cabeça e no braço e precisou de atendimento médico, permanecendo em observação.

Relatos apontam que essa não teria sido a primeira agressão entre os envolvidos. O pai da vítima afirmou que o filho já havia sido atacado anteriormente e chegou a ser ameaçado para não contar o ocorrido. Por medo, o adolescente teria levado um canivete na mochila para se defender — objeto apreendido pela escola.

O autor das agressões disse que procurou a vítima para “tirar satisfação” sobre desentendimentos anteriores. Ele foi conduzido à delegacia acompanhado do pai. A família informou que o adolescente tem Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e faz uso de medicação.

Testemunhas também relataram falhas no transporte escolar, como a ausência de monitor no veículo e demora do motorista para intervir. A direção do Colégio Tiradentes, unidade de Vespasiano, informou que tomou conhecimento do caso após receber o vídeo e iniciou a apuração.

O episódio, embora ocorrido fora da escola, reforça a necessidade de atuação conjunta entre instituições de ensino, famílias e poder público para prevenir e enfrentar a violência entre adolescentes.

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