Taxistas denunciam ameaças e agressões em disputa por ponto na Praça do Cardoso, em BH
Sumob diz que veículos de aplicativo não podem ocupar pontos exclusivos de táxi
Minas Gerais|Alice Brito e Asafe Alcântara, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Taxistas que trabalham na Praça do Cardoso, no Aglomerado da Serra, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, denunciam uma série de ameaças, agressões e danos a veículos em meio a uma disputa pelo embarque de passageiros no local. O conflito se intensificou nesta semana e terminou em uma briga entre um taxista e um motorista que atua no transporte de passageiros na região, na última terça-feira (1º).
Um dos profissionais que relata ter sido vítima da violência é o taxista Flavius Motta, que trabalha na categoria há mais de 35 anos. Segundo ele, as ameaças são frequentes e já houve episódios envolvendo pedras, facas e danos aos veículos.
“Eles estão ameaçando, falando que vão quebrar, que vão tirar faca. Inclusive, já enfiaram faca no meu pneu, já jogaram pedra no carro, já abriram a porta do carro”, relatou.
Flavius afirma que, no episódio mais recente, passava pela Praça do Cardoso quando percebeu que outro motorista saiu atrás dele. Segundo o taxista, um objeto teria sido arremessado contra a tampa traseira do veículo. Ele decidiu retornar ao local, onde havia agentes de segurança, para verificar se o carro tinha sido danificado.
Ainda de acordo com o relato, durante a verificação do veículo, a discussão evoluiu para uma agressão física.
“Do nada, ele já me deu um soco e um chute”, contou. Flavius afirma ainda que o homem mantinha um pedaço de madeira dentro do carro e diz temer que as ameaças aumentem. “Eu estou com medo. Ameaçou de morte. Ele já ameaçou vários”, afirmou.
Segundo os taxistas, a tensão está relacionada à utilização do espaço para o transporte de passageiros na Praça do Cardoso. A categoria afirma que outros motoristas não aceitam a presença dos táxis no local e reivindicam a exclusividade da rota.
Veja o vídeo:
O que diz a Sumob
A Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte (Sumob) informou que a UBTRANS é devidamente credenciada como Operadora de Transporte Individual Privado Remunerado (OTIR), modalidade submetida ao mesmo regramento jurídico de plataformas como Uber e 99.
O credenciamento, entretanto, permite que a empresa faça a intermediação de viagens por aplicativo, mas não concede direito ao uso exclusivo ou à reserva de espaços nas vias públicas.
Segundo a Sumob, diferentemente dos táxis, que possuem concessão pública e podem utilizar pontos fixos regulamentados de estacionamento, os motoristas vinculados a plataformas de aplicativo não têm direito a pontos fixos ou vagas reservadas nas ruas.
A legislação municipal também proíbe que motoristas de aplicativo façam o aliciamento de passageiros em pontos físicos de embarque e desembarque, tanto em áreas públicas quanto privadas. Conforme a prefeitura, as viagens dessa modalidade devem ser previamente solicitadas por meio eletrônico.
A Sumob reforçou ainda que veículos vinculados a aplicativos não podem estacionar em pontos sinalizados e destinados exclusivamente aos táxis. O descumprimento das normas pode resultar em autuação e até na remoção do veículo.
Diante das denúncias, a superintendência informou que a fiscalização de trânsito vai atuar na região da Praça do Cardoso para coibir a ocupação irregular das vagas reservadas aos taxistas.
Em relação aos episódios de violência, ameaças e conflitos entre os motoristas, a Sumob destacou que os casos são questões de segurança pública e devem ser encaminhados à Polícia Militar.
A Prefeitura de Belo Horizonte informou ainda, em nota, que o trajeto envolvido na disputa funciona atualmente em caráter experimental. “A oficialização da rota e a respectiva sinalização do itinerário dependem da publicação da Portaria, que está em fase de tramitação”, informou.
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