Torcedores do Cruzeiro voltam ao banco dos réus por ataque a ônibus que matou atleticano em BH
Novo júri popular julga acusados da emboscada contra ônibus do Move em 2021
Minas Gerais|Antônio Paulo, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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Quatro torcedores do Cruzeiro voltam a ser julgados nesta terça-feira (28), pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte, acusados de participação no ataque a um ônibus com torcedores do Atlético Mineiro que terminou com a morte de Mateus de Freitas Ferreira, de 20 anos, em novembro de 2021. O novo julgamento ocorre após a anulação das condenações anteriores pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Sentam no banco dos réus Samuel Paixão de Souza, Riquelme Enderson Ribeiro da Silva, Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga. Todos respondem ao processo em liberdade. Eles são acusados pelo Ministério Público de homicídio qualificado, por motivo torpe, meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. A sessão teve início às 8h30 e a expectativa é de que o julgamento dure até dois dias.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na noite de 28 de novembro de 2021, quando integrantes da torcida organizada Máfia Azul interceptaram um ônibus da linha 6350 (Estação Vilarinho–Estação Barreiro), que transportava torcedores atleticanos após uma partida no Mineirão. Segundo a acusação, os envolvidos bloquearam as portas do coletivo para impedir a saída dos passageiros e atacaram o veículo com bombas caseiras, foguetes e outros objetos.
Durante a investigação, policiais apreenderam no veículo utilizado pelos acusados três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e um foguete. Além da morte de Mateus, outras pessoas ficaram feridas durante a ação.
O processo foi desmembrado em 2022. Em agosto de 2024, Samuel Paixão de Souza e Riquelme Enderson Ribeiro da Silva chegaram a ser condenados a 67 e 50 anos de prisão, respectivamente. No entanto, em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça anulou o julgamento por cerceamento de defesa e determinou que ambos fossem submetidos a um novo júri.
Já Luiz Gustavo da Silva Veloso e Pedro Henrique Coimbra Braga foram julgados em outubro de 2024 e condenados a 24 e 20 anos de prisão, respectivamente. Em novembro de 2025, porém, o TJMG também anulou essa sessão do Tribunal do Júri. Como os dois respondiam ao processo em liberdade e não havia novos elementos que justificassem a prisão preventiva, a Justiça revogou a prisão provisória dos acusados em dezembro de 2025.
Além da esfera criminal, a família de Mateus também obteve uma vitória na Justiça cível. Em setembro do ano passado, a 22ª Vara Cível de Belo Horizonte condenou o Cruzeiro e a torcida organizada Máfia Azul ao pagamento de R$ 100 mil de indenização à mãe do jovem. A decisão reconheceu que o ataque foi praticado por integrantes da organizada e que as entidades respondem civilmente pelos danos causados. Ainda cabe recurso.
Relembre o caso
Na noite de 28 de novembro de 2021, um ônibus do Move que transportava torcedores do Atlético Mineiro foi cercado e atacado por integrantes da torcida organizada Máfia Azul, na altura do bairro das Indústrias, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Segundo a investigação, os criminosos lançaram explosivos, rojões e outros objetos contra o coletivo e impediram que os passageiros deixassem o veículo.
Mateus de Freitas Ferreira, de 20 anos, ficou gravemente ferido e foi socorrido ao Hospital João XXIII, mas não resistiu aos ferimentos. Outras vítimas também ficaram feridas. Após o ataque, seis suspeitos foram presos, dando início ao processo que culmina, agora, em um novo julgamento dos quatro acusados.
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