UFMG desenvolve sensores para detecção de incêndios
Objetivo é identificar focos de chamas precocemente
Minas Gerais|Do R7


Detectar precocemente a presença de incêndios em áreas de preservação ambiental. É este o objetivo de um equipamento criado pela UFMG em parceria com a Cemig, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e as empresas de tecnologia da informação Enacom, DFP Art e Axxiom.
De acordo com o coordenador do projeto, o professor de engenharia eletrônica da UFMG Hani Camille, câmeras foram adaptadas para funcionarem em regiões remotas detectando automaticamente fumaça e fogo. Essas informações são transferidas para um site, onde órgãos públicos e os próprios cidadãos poderão fazer a checagem. Ele explica como o equipamento faz a seleção.
— A deteccão funciona em três níveis. A primeira verifica a cor dos elementos que compõem a cena. Depois as características do movimento são consideradas. A nuvem, por exemplo, é da mesma cor que a fumaça, mas é mais estática, enquanto a fumaça tem um movimento muito rápido. O terceiro nível analisado é o de persistência; se determinada cor está presente na região por um tempo longo, não é caracteristica de fogo.
Para que as câmeras possam ser instaladas em lugares remotos e ainda assim tenham acesso à internet, elas serão colocadas em torres de transmissão da Cemig. Dessa forma, a fibra ótica que passa por essas estruturas será utilizada pelos sensores de incêndio. Além disso, as câmeras possuem transmissão via rádio, de maneira que mesmo que os fios sejam queimados, a comunicação pela rede continua garantida.
Teste real
No último domingo (5) os pesquisadores puderam fazer um teste com um incêndio real. Chamas tomaram parte de uma área de preservação ambiental da UFMG próxima ao Estádio Mineirão, onde uma das câmeras pode captar o fogo. O equipamento registrou a imagem acima e enviou a informação para o site.
Atualmente duas câmeras estão em funcionamento no parque do BHTec, próximo ao Campus da Universidade. Até dezembro outros três sensores serão instalados subestação Bom Sucesso da Cemig, próximo ao Anel Rodoviário, no bairro Betânia, região oeste de BH.
Desenvolvimento dos sensores
O projeto teve início em 2012 e em dezembro deste ano o equipamento será colocado à disposição da Cemig. Segundo o professor Camille, todos poderão ter acesso ao site que monitora os incêndios no mesmo mês.
Os recursos para a criação do equipamento vieram da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Foram investidos R$ 1,2 milhão.
Incêndios em Minas Gerais
A falta recorde de chuvas em 2014 e de planos para controle de queimadas fez dobrar o número de focos de incêndio em setembro em comparação com 2013 em Minas. A vegetação nas regiões sul, Zona da Mata e central foi a mais prejudicada, de acordo com a observação nos mapas de satélite.
Relatório do satélite de monitoramento de queimadas AQUA-UMD, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), aponta que 3.454 focos de incêndio foram registrados no Estado em setembro de 2014 - quase o dobro dos 1.656 casos de setembro de 2013.
* Com colaboração da estagiária Laura Marques















