Universitários "forasteiros" destacam choque cultural como estímulo para o crescimento
Dificuldades no trânsito e para conseguir moradia são principais problemas apontados
Minas Gerais|Enzo Menezes, do R7 MG

Leonardo Santos, 27 anos, saiu do Rio de Janeiro, passou pela Paraíba e escolheu Belo Horizonte para estudar por ser uma das únicas três cidades onde existe musicoterapia em uma universidade pública.Taiane Dantas, 23 anos, se surpreende porque nenhum amigo mineiro conhece o "boliviano", salgado do sertão baiano que inclui frango, pimenta, canela, açúcar e passas. Aproveita para assustar os colegas ao oferecer inhame, mandioca e batata doce no café da manhã.
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O cearense Diógenes Lycarião estranhou quando procurou apartamento para alugar na capital mineira e não encontrou ganchos nas paredes para pendurar uma rede. Walter Flausino, 26, comprou um mapa da cidade ao chegar de Itumbiara (GO), e o que viu nas ruas foi um transporte público que só ajuda a complicar o trânsito.
Cinco estudantes da UFMG relatam as descobertas e os problemas de um novo Estado. A dificuldade para conseguir casa e as horas perdidas no trânsito são uma tônica entre as reclamações. Mas há surpresas, e um olhar renovado sobre a cidade.
Pão de queijo e bicicleta
Os costumes belo-horizontinos divertem a estudante de relações públicas Taiane. A baiana de Brumado ainda se espanta com o pão de queijo.
— Acho engraçado ter pão de queijo em festas. Na Bahia é mero coadjuvante. Outra coisa muito estranha é ter homens de tênis e meia quase alta e mulheres de salto e botas em churrascos. Lá na Bahia churrasco é homem de bermuda e chinelo e mulher de shortinho e rasteira.
Santos, estudante de musicoterapia, cansou de perder tempo no ônibus e comprou uma bicicleta. O carioca estudou em João Pessoa antes de chegar a BH.
— Isso foi um grande diferencial na minha experiência. Não pego trânsito, não gasto com ônibus, melhoro minha qualidade de vida, faço exercícios diários, posso ir almoçar e jantar no bandejão.
Flausino vai se formar em medicina no meio de 2013. Goiano de Itumbiara, driblou a burocracia para conseguir uma casa.
— Encontrar um apartamento foi muito difícil, já que sempre há exigência de fiadores. Moro em um apartamento alugado pela mãe de um colega. Firmamos contrato informalmente.
"Poesia viva"
Em BH desde 2008, Diógenes faz doutorado em comunicação na UFMG. Atualmente, o cearense de Fortaleza vive como bolsista na Alemanha antes de voltar a Minas.
— Senti falta da tapioca, e de algumas características do povo cearense, especialmente do humor debochado. Em Minas há o peso da tradição em contraste com a energia dos bares e da boemia. Uma poesia viva de contrastes.
Bárbara Gonçalves, 25 anos, também nasceu na capital do Ceará. Longe da praia, estuda a arquitetura mineira contemporânea e vê vínculos de cidade pequena na capital entre montanhas.
— É a ambiência de cidade do interior dentro da cidade grande, onde todo mundo se cumprimenta e facilmente criamos relação com a vizinhança, com o rapaz do sacolão, a vendedora da feirinha.
O paranaense Guilherme Couto, 24 anos, destaca a diversidade cultural de BH.
— A variedade de pessoas que eu convivia lá era limitada. Aqui encontro grego, ateu, judeu, gay e pansexual. A mente é mais aberta.
Ele ainda luta para se acostumar com a distância de casa.
— O pior de tudo para mim é ficar sozinho, mas graças a Deus, a adaptação é boa. Sinto saudades de casa, mas tento ir uma vez por mês para ficar mais tranquilo.















