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Elza Soares: chegou nossa vez de resistir à dor do adeus

André Azeredo|Do R7

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Elza Soares morreu aos 91 anos nesta quarta-feira (20) no Rio de Janeiro
Elza Soares morreu aos 91 anos nesta quarta-feira (20) no Rio de Janeiro

Elza Gomes da Conceição resistiu.

Resistiu à carestia na infância pobre. À falta d’água.


Resistiu às dores e frustrações de um casamento aos 14 anos. À violência.

Resistiu à perda de seus filhos, tão novos, levados pelas doenças do mundo.


Resistiu a ser a outra. Firmou pé e enquadrou Garrincha. Ou assume ou some.

Resistiu à humilhação de ser a destruidora do sacro lar de um Mané já ídolo.


Resistiu à dor de um acidente de carro que levou seu filho. Resistiu ao dilaceramento da incerteza quando sua menina foi raptada.

Resistiu ao luto. Ao exílio.


Resistiu à discriminação, forte e implacável, por ser mulher, negra e buscar seu lugar de fala.

Resistiu junto com o samba, para manter o mais brasileiro dos ritmos. Com sua voz potente.

Arranhada. Única. Arrepiante.

Resistiu. Mas dói resistir. Dói. Caleja a alma por demais. Dói.

Vá com Deus, mulher dos olhos gateados. Mulher guerreira. Mulher brasileira. Mulher artista.

Adeus, Elza Soares.

Chegou nossa vez de resistir à dor do adeus.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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