Escravidão, negritude e polícia

Capa do livro de Obama

Capa do livro de Obama

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Não quero polemizar. Aprecio a reflexão. Ela nos permite ressignificar certezas. Mas, sobretudo, entender contextos. Buscar solução (quando queremos, claro). Sem entender, não aceitamos. Sem aceitar, não modificamos. Nada. Essa combinação (entendimento/aceitação/mudança) é indispensável para as verdadeiras transformações. Que são lentas. Mas possíveis.

Assim como nos EUA, temos no Brasil uma sociedade que cresceu, se moldou e se estruturou materialmente com base no trabalho escravo. Sem elas não teria o Brasil que conhecemos. Triste? Muito mais do que isso. É uma realidade. É uma cicatriz que está estampada na nossa pele social.

O que isso tem a ver com a polícia? Tudo. Polícias são o braço repressivo do Estado. Que tem autorização legal para matar – já pensou nisso? E segue diretrizes pensadas por uma parcela da população que comanda o Estado. O conceito de segurança é bem contra o mal. Percebe? Mas como surge o mal? Será que já debatemos isso como adultos?

O ex-presidente Back Obama me fez refletir. Compartilho:

“Foi meu primeiro sinal de como a questão dos negros e da polícia era mais polarizadora do que praticamente qualquer outro assunto cotidiano entre os americanos. Parecia mexer com as raizes mais profundas da psique da nossa nação, os nervos mais expostos, talvez por lembrar a todos nós, negros e brancos, que a base da ordem social da nossa nação não fora estabelecida com o consentimento de todos; que nesse processo era impossível ignorar séculos de violência fomentada pelo Estado e perpetrada pelos brancos contra as pessoas negras e de pele escura, e que a questão de quem controlava o monopólio da violência - a forma como era administrada e contra quem - ainda tinha uma importância muito maior em nosso inconsciente coletivo do que gostaríamos de admitir”

Barack Obama. Ex-Presidente dos Estados Unidos da América. No livro “Uma terra prometida” pg. 413

Sobre a péssima repercussão de um comentário seu a respeito da prisão desnecessária de um professor universitário negro por um policial branco após uma discussão. Obama classificou a atitude como uma “estupidez”. Foi um prato cheio para a crítica!

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