A Rota, amada ou odiada, e tudo o que está acontecendo em Guarujá
Vejamos, para que a inteligência predomine e a ignorância fique em seu devido lugar, tudo aquilo que as partes dizem
Arquivo Vivo|Percival de Souza e Percival de Souza

Tudo o que está acontecendo em Guarujá, com muitas mortes em ações da Rota, está exigindo um mínimo de bom senso e equilíbrio, sensibilidade humanitária e apreciação rigorosa dos fatos.
Quem quiser colocar partido acima de tudo e ideologia superando todos entrará na dança frenética de intelectualidade com amnésia, com duvidosos especialistas em destaque e contribuindo com ferocidades de tudo quanto é tipo, fugindo da questão central, gerando uma impossível quadratura do círculo.
Gregos e troianos estão digladiando entre si. Empunham metralhadoras verbais e, se o que dizem partisse de projéteis de grosso calibre, muitos espaços em cemitérios seriam insuficientes.
Vejamos, para que a inteligência predomine e a ignorância fique em seu devido lugar, tudo aquilo que, em resumo, as partes estão dizendo.
Primeiro, os gregos:
1-) A Rota, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, é um bando de matadores, que somente sai às ruas para exterminar pretos, pobres e periféricos. Atira primeiro, pergunta depois. Banaliza a morte. Deixa rastros de sangue por toda parte, adquiriu prazer em matar.
Usou como pretexto o assassinato do soldado Patrick Bastos Reis para descer ao litoral em comboio sinistro, matando sem piedade quem encontrasse pelo caminho, para dar uma resposta apavorante aos moradores locais.
O governador do Estado, Tarcísio de Freitas, é um carioca fazendo turismo em São Paulo; seu secretário de Segurança, Guilherme Derrite, um inapto, oriundo da própria Rota. Por consequência, aumentaram os números criminais, inclusive os casos de estupro.
Tarcísio é um bolsonarista convicto, obedece às convicções do padrinho político e seus métodos de ação passam pelo genocídio, a carnificina como massacre do tipo Casa de Detenção e seus 111 mortos em 1992.
Agora, a vez dos troianos:
2-) A Rota é tropa de elite e não tropa letal, como dizem os inimigos nas suas definições absolutamente contraditórias. Uma coisa ou outra. Se é elite, não pode ser letal. E vice-versa.
Quando o soldado Patrick foi assassinado em Guarujá, não houve uma única demonstração de solidariedade, mesmo diante de uma execução que não mereceu protestos de direitos humanos, como se policiais não fossem humanos. Predominou o mais pesado dos silêncios. A Rota vai aonde ninguém vai, bandido tem mesmo é que sentir medo da polícia.
O tiro nas costas de uma mulher, cabo da Polícia Militar, em Santos, de forma traiçoeira e covarde, igualmente não recebeu bálsamo consolador de nenhum "humanista" ou "ativista" de plantão, nem de entidades que se dizem representantes da sociedade civil. Ou seja: matar policiais é normal, matar bandidos jamais, mesmo que seja em reação a ações criminosas.
A Rota apenas reage à altura. Seu lema é "dignidade acima de tudo", como está escrito numa parede do quartel na avenida Tiradentes. Inimigos da Rota são inimigos da sociedade a quem defende.
O espartano pondera:
3)- Aí estão, em resumo, as duas posições, muitas vezes disfarçadas em sofismas, artifícios, embustes e definições. Perduram acusações apriorísticas, intimidativas, com respostas para perguntas que nem sequer foram formuladas.
Quem observar o entra e sai de viaturas em turnos da Rota, num ritual impressionante, poderá verificar: muitos dos seus integrantes são negros ou pardos, pulverizando assim a teoria de caça sistemática aos negros, que se estão na prisão é porque o Judiciário os condenou, e não a Rota. Elementar.
Muitos deles são pobres, residem em lugares distantes e, constantemente ameaçados, não saem de casa nem voltam fardados, dado o justificado temor de serem atacados. Os salários não são grande coisa, e o manto da condição social mais baixa os envolve também. E não faltam aqueles que moram em bairros distantes, periféricos. Em suma: não são seletivos.
Há duas agravantes, que nunca importam a quem os ataca. Uma é a obrigatoriedade de usar permanentemente coletes à prova de bala. E isso porque correm sempre o risco de ser alvejados. Por quem? Por bandidos.
Aliás, é aqui que entra outra ameaça constante: quando o policial militar é identificado por bandidos, é imediatamente executado, cruel e impiedosamente. Os matadores desse tipo ostentam uma tatuagem, em forma de palhaço, que lhes confere status no mundo do crime.
Temos ainda a realidade impiedosa: a criminalidade contemporânea alterou o conceito de latrocínio, que era roubo seguido da morte. Tornou-se morte seguida de roubo. Atirar sem perguntas, haja reação por parte da vítima ou não.
Casas são invadidas. Estupros acontecem dentro delas. Violência impera nas ruas, dentro dos carros, andar com celular virou risco. Resultado: sensação total de insegurança. Quem sai de casa e volta tranquilo? Impossível.
Antes de o soldado Patrick ser assassinado, muitos outros homicídios aconteceram na baixada, vitimando policiais da reserva ou da ativa. Diante da sucessão macabra de casos, mais uma vez os defensores de direitos não abriram a boca, como se policiais não tivessem direito algum nem humanos fossem.
Destaque-se, por fim, do que são capazes os bandidos de hoje. Quando as facções se encontram dentro dos presídios, nasce uma guerra entre eles mesmos. O saldo é repugnante: cabeças decepadas, órgãos cortados e separados uns dos outros, tortura de reféns e ferocidade explícita.
Crime, organizado ou não, é isto. Assassinos, também transformados em coveiros, que matam e enterram corpos. Quem disse que tudo isso é suportável e não apavorante?
A verdade é terrível: o crime acompanha a sociedade como a sombra segue o corpo. Uma coisa é combatê-lo, outra é preferir combater a polícia, por múltiplas razões, acima explicitadas e resumidas.
Ligar para 190, como fazem cerca de 45 mil pessoas por dia, para o Copom, o Centro de Operações, ou para o chefão Marcola? Assim, você fica em razoáveis condições de avaliar, optar, escolher, decidir o que seria melhor. Que a Rota seja extinta? Ou que a Rota seja prestigiada?














