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Ferrari Luce divide mercado, derruba ações e abre debate mudanças na marca

Esportivo elétrico viraliza nas redes sociais por críticas ao design

Prisma|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Ferrari Luce apresentada na Europa Ferrari/Divulgação

A apresentação da Ferrari Luce, primeiro modelo 100% elétrico da história da fabricante italiana, gerou exatamente o tipo de reação que a marca talvez esperasse — mas em intensidade maior do que o imaginado.

Horas após a revelação oficial, críticas ao design, dúvidas sobre posicionamento e questionamentos sobre a identidade da empresa pressionaram o mercado financeiro e colocaram o carro no centro do debate sobre o futuro dos esportivos de luxo. Nas redes sociais, o carro recebeu uma avalanche de críticas inclusive no Brasil. Neste post de Instagram foram mais de 640 mil visualizações e 1.540 comentários.


Ferrari Luce apresentada na Europa Ferrari/Divulgação

Queda de valor nas ações


O movimento foi imediato. As ações da Ferrari chegaram a cair 8,4% em Milão durante o pregão e também recuaram em Nova York, refletindo uma recepção mais fria de investidores e parte dos entusiastas da marca. Analistas ouvidos pela imprensa internacional interpretaram a reação como uma combinação entre incertezas sobre eletrificação e uma percepção de que o novo modelo se afasta demais da imagem tradicional construída pela empresa ao longo de décadas.

Ferrari Luce apresentada na Europa Ferrari/Divulgação

Vale nota que a Ferrari Luce não nasceu para ser apenas uma Ferrari sem motor V8 ou V12. Ela foi concebida como uma ruptura completa de conceito.O carro abandona a fórmula clássica dos cupês de dois lugares e estreia como um gran turismo de quatro portas e cinco ocupantes, com proporções próximas de um shooting brake elevado e desenho que foge deliberadamente da linguagem visual tradicional da marca.


Ferrari Luce apresentada na Europa Ferrari/Divulgação

Outro elemento que ajudou a ampliar o debate foi a participação do estúdio LoveFrom, liderado por Jony Ive, responsável por projetos como iPhone, iPad e Apple Watch.A colaboração foi incentivada pelo presidente da Ferrari, que enxergou paralelos entre a transformação da Apple e o desafio atual da fabricante italiana: levar um produto altamente emocional para uma nova era tecnológica sem perder identidade.

Ferrari Luce 2027 com desenho polêmico Ferrari/Divulgação

Nas redes sociais e fóruns automotivos, surgiram comparações com sedãs elétricos generalistas, críticas ao visual minimalista e questionamentos sobre o fato de a Ferrari recorrer até mesmo a sistemas artificiais para amplificação sonora — tentativa da empresa de preservar parte da experiência emocional dos motores térmicos. Apesar da repercussão dividida, a empresa confirmou que o projeto segue integralmente dentro do cronograma.


Ferrari Luce apresentada na Europa Ferrari/Divulgação

A Luce utiliza uma plataforma própria de 880 volts desenvolvida internamente, arquitetura de quatro motores elétricos, bateria de 122 kWh e potência superior a 1.100 cv. O conjunto promete acelerar de 0 a 100 km/h em cerca de 2,5 segundos, autonomia próxima de 530 km e velocidade acima dos 310 km/h.

Ferrari Luce apresentada na Europa Ferrari/Divulgação

Depois de desacelerar metas agressivas de eletrificação, a Ferrari agora trabalha com um cenário em que 20% da gama será elétrica até 2030, enquanto combustão e híbridos continuarão representando parcela relevante do portfólio. Ou seja: a Luce não substitui o passado — ela inaugura uma nova frente de atuação. Por hora a casa italiana mantém os planos e confirmou que o Luce já é uma versão final de produção e o carro chega ainda este ano ao mercado.

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