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A foto que preocupou o mundo do futebol: por que a lesão no joelho do Rodrygo ‘desligou’ os músculos da perna do atacante?

De um lado, uma coxa forte e bem trabalhada; do outro, uma perna visivelmente fina, com perda drástica de volume no quadríceps

Dr. Fe7ipe|Dr. Felipe AmorimOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Uma foto do jogador Rodrygo, do Real Madrid, mostrou uma assimetria entre suas pernas após cirurgia no joelho, com perda de massa muscular.
  • O fenômeno é semelhante ao enfrentado por Alphonso Davies, do Bayern de Munique, que se recuperou de problemas físicos e miocardite.
  • A perda de massa muscular é causada por um reflexo neurológico que reduz a ativação muscular para proteger a articulação lesionada.
  • Estratégias como eletroestimulação neuromuscular e treino com oclusão vascular são usadas na recuperação para reativar o músculo afetado.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Rodrygo durante exercícios de recuperação: joelhos chamam a atenção Reprodução/Instagram

Na última semana, uma foto do atacante Rodrygo, do Real Madrid, viralizou ao exibir uma assimetria impressionante entre as suas pernas durante a recuperação de uma cirurgia no joelho. De um lado, uma coxa forte e bem trabalhada; do outro, uma perna visivelmente fina, com perda drástica de volume no quadríceps.

A imagem trouxe de volta à memória dos torcedores outros registros parecidos no futebol de elite, como a clássica foto do lateral Alphonso Davies, do Bayern de Munique, que viveu um quadro idêntico.


Davies enfrentou esse quadro no passado e, mesmo após sucessivos problemas físicos e uma miocardite na época, conseguiu se recuperar plenamente para liderar o Canadá na Copa do Mundo. O caso antigo do canadense e o atual do brasileiro refletem bem essa realidade: a recuperação total da massa e da função exige tempo e paciência.

O lateral Alphonso Davies, do Bayern de Munique, que viveu um quadro idêntico Reprodução/Instagram

O ‘apagão’ que te faz desabar no chão

Quem já teve uma lesão articular no joelho — mesmo uma pequena fissura no menisco — conhece bem a sensação: no meio de uma caminhada ou movimento bobo, vem uma “pontada” de dor. Na mesma fração de segundo, a impressão é de que alguém simplesmente desligou e religou a sua perna. Antes mesmo que você consiga entender o que aconteceu, o joelho cede e você está sentado no chão.


A explicação para essa queda súbita é puramente neurofisiológica: o quadríceps é o grande responsável por sustentar o peso do corpo a cada passo. Quando a fisgada de dor acontece, o cérebro interpreta aquilo como uma ameaça iminente e corta a ativação do quadríceps instantaneamente para evitar um dano maior. Como a perda de força é abrupta, o membro perde a capacidade de sustentação por um milissegundo. Quando o sinal elétrico ensaia voltar, a gravidade já venceu — e você desabou.

Para quem olha de fora a foto do Rodrygo, a sensação é de que o músculo “derreteu” simplesmente porque o atleta ficou sem treinar. No entanto, a medicina esportiva nos mostra que o buraco é bem mais embaixo: em lesões de joelho, a atrofia avança em velocidade recorde por uma causa primordialmente neuromuscular.


Não se trata apenas de tempo de repouso, mas desse mesmo “disjuntor” neurológico levado ao extremo após uma cirurgia ou trauma grave.

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Por que o cérebro ‘bloqueia’ a musculatura?

Quando ocorre uma lesão estrutural no joelho (como no LCA ou menisco), a articulação sofre com edema (inchaço), dor e alteração da pressão interna.


Como mecanismo de defesa contínuo, o sistema nervoso central dispara um reflexo chamado Inibição Artrogênica Muscular (IAM).

Na prática, acontece o seguinte:

Sinal interrompido: O cérebro reduz ativamente o envio de impulsos elétricos para o quadríceps.

Perda de ativação efetiva: Por mais que o atleta tente contrair a coxa com toda a sua força de vontade, o músculo não responde de forma completa. A ativação voluntária despenca.

Cascata de atrofia: Sem o estímulo neural adequado, a degradação proteica dispara. As fibras do Tipo II (de contração rápida e maior volume visual) definham em questão de dias.

É por isso que, nas primeiras semanas, a perna do atleta não encolhe apenas porque “não está pegando peso”, mas porque ficou neurologicamente impedida de contrair.

Como a medicina de elite ‘religa’ esse músculo?

Entender que atletas como Rodrygo enfrentam um processo longo de reativação ajuda a compreender por que o retorno não acontece da noite para o dia. Para contornar esse bloqueio neurológico sem agredir o joelho em cicatrização, a medicina esportiva utiliza estratégias avançadas:

1. Eletrostimulação Neuromuscular (NMES): Aplicada desde a fase precoce para “burlar” a inibição do cérebro. Correntes elétricas externas forçam o quadríceps a contrair, mantendo a via neural ativa.

2. Treino com Oclusão Vascular (BFR - Blood Flow Restriction): Permite induzir estresse metabólico e hipertrofia usando cargas insignificantes (20% a 30% da capacidade máxima), preservando o enxerto cirúrgico e o menisco.

3. Avaliação Isocinética de Simetria: O atleta só retoma a carga total quando a dinamometria computadorizada comprova que a geração de força voluntária da perna operada atingiu a equivalência adequada em relação à perna saudável.

A lição para a sua rotina

A foto recente do Rodrygo e a física por trás daquela “falhada” no joelho nos lembram de uma regra básica da fisiologia: o músculo depende do nervo para existir e performar.

Diante de um trauma no joelho, a perda de massa é uma resposta biológica de proteção. A chave para uma recuperação completa — seja em um astro do futebol mundial ou em um praticante amador de musculação — não é a apressada volta aos treinos pesados, mas sim o respeito às fases de reativação neuromuscular e o acompanhamento guiado pela ciência.

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