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Gasolina com 32% de etanol: como fazer a conta para não perder dinheiro

Desoneração anunciada pelo governo pode alterar a relação de preços nos postos; consumo do próprio carro determina a escolha mais econômica

Autos Carros|Marcos Camargo JrOpens in new window

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Carro sendo abastecido com gasolina E32 Freepik/Divulgação

Gasolina ou etanol? Para quem dirige um carro flex, a resposta depende do preço na bomba e de quantos quilômetros o veículo percorre com cada combustível. Com a gasolina comum contendo 32% de etanol anidro, a conhecida regra dos 70% deve ser tratada como referência, sem substituir a comparação do custo por quilômetro. Mas é preciso saber fazer a conta que é simples mas pode determinar a economia real.

A mistura E32 entrou em vigor em 1º de agosto de 2026, substituindo temporariamente o percentual de 30%. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a determinação vale para a gasolina comum e a comum aditivada por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo período. A gasolina premium mantém 25% de etanol anidro.

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Mulher abastece veículo com gasolina E32 em posto tranquilo Freepik/Divulgação

Isso significa que cada litro de gasolina comum vendido no posto tem 680 mililitros de gasolina e 320 mililitros de etanol anidro. Para decidir o abastecimento, porém, o motorista deve usar o preço integral anunciado na bomba: não é necessário descontar os 32% nem calcular separadamente o valor de cada componente.

Como fazer a conta em meio à mudança do imposto

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A conta acontece em um momento de mudança na tributação. Nesta sexta-feira, 9 de outubro, o governo federal anunciou o zeramento de PIS/Pasep, Cofins e Cide sobre a gasolina por 30 dias. A desoneração passa de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, uma ampliação de R$ 0,26 em relação ao benefício anterior. Para o etanol, foi mantida a desoneração de R$ 0,19 por litro, enquanto o subsídio aos produtores aumentou de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro.

Mulher enche o tanque do veículo com gasolina E32 Freepik/Divulgação

Mesmo com a queda nos preços, é preciso voltar à calculadora. A retirada dos tributos federais não significa redução automática de R$ 0,89 no preço que o motorista paga hoje. Parte do benefício já estava em vigor, e o valor final depende também dos preços dos combustíveis, da distribuição e das margens de comercialização. Por isso, a comparação deve considerar os valores efetivamente cobrados pelo posto.

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Como fazer a conta de um jeito simples

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Para fazer a conta rápida, basta dividir o preço do etanol pelo preço da gasolina. Em um exemplo hipotético, com etanol a R$ 4,50 e gasolina a R$ 6,00, o resultado é 0,75. Ou seja, o etanol custa 75% do valor da gasolina. Pela regra tradicional dos 70%, a escolha seria a gasolina. Mas esse percentual é uma estimativa: o rendimento de cada motor pode mudar o ponto de equilíbrio entre os combustíveis.

Gasolina E32 entrando no tanque do veículo Freepik/Divulgação

A maneira mais precisa de decidir é dividir o preço do litro pelo consumo médio do carro, medido em quilômetros por litro. O resultado mostra quanto custa percorrer um quilômetro. Quanto menor esse valor, menor a despesa com combustível.

Considere um carro que faça 12 km/l com gasolina e 9 km/l com etanol. Com os preços do exemplo, a gasolina custa R$ 0,50 por quilômetro: R$ 6,00 divididos por 12. O etanol também custa R$ 0,50 por quilômetro: R$ 4,50 divididos por 9. Nesse caso, há empate mesmo com o etanol custando 75% do preço da gasolina.

Se o mesmo veículo fizer apenas 8 km/l com etanol, o custo sobe para aproximadamente R$ 0,56 por quilômetro, tornando a gasolina mais econômica. Se conseguir 9,5 km/l, o gasto cai para cerca de R$ 0,47 por quilômetro, dando vantagem ao etanol.

Também é possível descobrir o preço máximo que vale pagar pelo biocombustível. Basta dividir o consumo com etanol pelo consumo com gasolina e multiplicar o resultado pelo preço da gasolina. No carro que faz 9 km/l e 12 km/l, respectivamente, a relação é de 75%. Com gasolina a R$ 6,00, o ponto de equilíbrio fica em R$ 4,50 para o etanol.

Homem abastece veículo com nova gasolina E32 Freepik/Divulgação

A mistura de 32% não estabelece, por si só, uma nova regra universal de 75% ou 78%. O motorista precisa conhecer o rendimento do seu veículo com a gasolina atualmente vendida e com o etanol, em condições semelhantes de trânsito e percurso.

Para medir, abasteça até o primeiro desarme automático da bomba, zere o hodômetro parcial e registre a distância percorrida até o próximo abastecimento. Complete novamente até o primeiro desarme e divida os quilômetros rodados pelos litros colocados. Repetir a medição ajuda a reduzir a influência de um dia com mais congestionamento ou de uma viagem.

Se a desoneração chegar às bombas e modificar a diferença de preços entre gasolina e etanol, vale refazer a conta. A escolha mais econômica depende da combinação entre o valor cobrado naquele abastecimento e o consumo real do carro.

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