Christina Lemos Aliados veem mudanças de tom e de atitude em Bolsonaro

Aliados veem mudanças de tom e de atitude em Bolsonaro

Presidente surpreendeu ao acatar orientação da Anvisa de permanecer em isolamento e recebeu a revista Veja – considerada imprensa “de oposição” 

Bolsonaro cumprimenta admiradores durante sua passagem por Nova York, nesta semana

Bolsonaro cumprimenta admiradores durante sua passagem por Nova York, nesta semana

Stephen Yang/Reuters - 21.09.2021

Repercutiu bem no Congresso o que está sendo identificado como uma inflexão moderada do presidente Bolsonaro nos últimos dias. Mais que as declarações, as atitudes do presidente, segundo parlamentares ouvidos pelo blog, sinalizam para um esforço por recuperar o espaço perdido entre grupos de eleitores que desaprovam arroubos de oratória e as atitudes identificadas como ameaça à estabilidade política. “Francamente, não acreditei que ele cumpriria o isolamento”, declara deputado da base governista, ao relatar a surpresa que a notícia causou.

Nesta quarta-feira, após retornar de Nova Iorque, o presidente decidiu acatar as orientações da Anvisa e do guia de controle de contágio do coronavírus, do Ministério da Saúde, incluindo permanecer isolado no Palácio da Alvorada pelo período de incubação do vírus – entre cinco e seis dias. A agenda de viagens regionais e de inaugurações está cancelada até que um exame determine se o presidente não foi contaminado por ter mantido contato próximo com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmado com a Covid-19.

A iniciativa de receber jornalistas da revista Veja no Palácio da Alvorada também foi considerada um gesto que destoa do padrão de Bolsonaro, que descartava qualquer contato com órgãos de imprensa identificados por ele como "de oposição".  A entrevista, segundo a revista, foi presencial, observadas as medidas de prevenção do contágio. 

Na conversa, publicada nesta sexta, o presidente dá declarações que sinalizam para uma pacificação do ambiente político: nega a intenção de golpe, faz acenos até mesmo ao ministro do STF e presidente do TSE, Roberto Barroso, evita retomar a defesa do voto impresso e principalmente mira os formadores de opinão no mercado. Bolsonaro afasta o temor de flexibilização fiscal, com ampliação de gastos públicos com programas sociais. O desequilíbrio fiscal era dado como certo por representantes dos setores financeiro e produtivo.

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