Governadores cobram mudança real no Ministério da Saúde
Gestores insistem na coordenação nacional da pandemia, alinhada a ciência. Queiroga, tido como "seguidor" de Bolsonaro, gera temor
Christina Lemos|Do R7
A troca no comando do Ministério da Saúde, com a entrada do cardiologista Marcelo Queiroga no lugar do general Eduardo Pazuello, provocou reações entre os governadores estaduais, principais interlocutores da pasta durante a crise do coronavírus.
O blog apurou que a preocupação mais comum é que a troca de comando não gere mudanças efetivas na ação federal e ainda atrase iniciativas que estavam em andamento.
O cardiologista Marcelo Queiroga é considerado "alinhado" às ideias do presidente Bolsonaro, crítico das medidas de isolamento determinadas pela maior parte dos gestores estaduais.
A relação dos governadores com Pazuello foi acidentada, principalmente na segunda fase da pandemia, inclusive gerando diversas ações no STF para garantir recursos no combate ao coronavírus e a reativação de leitos hospitalares.
No entanto, alguns deles já telefonaram para o ministro demissionário, nas últimas 48h, para agradecer o esforço no comando da pasta e o diálogo aberto, principalmente com o Fórum de Governadores e com o Conass (Conselho Nacional de Secretário de Saúde).
O governador do Piauí, Wellington Dias, presidente do Fórum, divulgou um vídeo em que cobra, mais uma vez, uma coordenação nacional para a imunização da população, medidas preventivas, garantia de acesso a vacinas e que a ciência seja respeitada, assim como as regras estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde. Ao final, Dias pergunta se a troca na Saúde é realmente "uma mudança de visão do governo federal?".
Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, declara esperar que a nova gestão traga a perspectiva de "uma coordenação nacional eficiente articulada com estados e municípios para frear a pandemia". E reforça: "Tempo, nesse caso, é vida".
Assista à declaração de Casagrande:
Já Helder Barbalho, do Pará, ressalta a necessidade de "união" e de "soluções alinhadas à ciência".
O governador João Doria, de São Paulo, estado que fabrica a maior parte das vacinas aplicadas aos brasileiros, preferiu não comentar a troca. Doria sempre ressaltou publicamente que Pazuello é uma pessoa “de trato cordial”, mas nos últimos meses designou a área técnica para tratar com o ministro.
A mudança ocorreu após o episódio em que o general voltou atrás no contrato para compra da CoronaVac, 24h depois do acerto, por determinação do presidente Bolsonaro.
Vice-presidente da Câmara
Diante da informação de que a transição na Saúde pode levar até dez dias, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse que o "novo ministro não tem tempo de aprender a ser ministro". Segundo ele, "as respostas têm de ser rápidas e efetivas e passar mensagens claras de compromisso com políticas de prevenção e acelerar o processo de vacinação".
Assista ao vídeo abaixo:
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