Logo R7.com
RecordPlus
Christina Lemos - Blogs

Impasse sobre combustíveis persiste e derruba ministro militar

Bento Albuquerque era considerado o melhor quadro técnico do governo. Equipe ainda não tem solução para acalmar caminhoneiros e mitigar impacto sobre inflação

Christina Lemos|Do R7

  • Google News
Bento Albuquerque: saída é sinalização política de Bolsonaro
Bento Albuquerque: saída é sinalização política de Bolsonaro

O aumento de 40 centavos sobre o diesel – combustível que garante o transporte da maior parte dos alimentos e mercadorias no Brasil – levou ao limite a insatisfação do presidente Bolsonaro (PL) e causou a demissão do primeiro militar em cargo técnico no governo. Bento Albuquerque, de Minas e Energia, após enfrentar e superar o maior desafio de sua gestão, a crise hídrica, teve o prestígio minado pela constante alta dos combustíveis, questão que impacta diretamente as chances de reeleição de Bolsonaro.

O almirante de esquadra deixa o posto após desempenho que lhe permitiu ser um dos ministros mais longevos do atual governo, sem nenhum histórico de divergência pública com o presidente e tendo contornado crises de alto teor explosivo. A troca busca sinalizar a setores sensíveis da economia, como os caminhoneiros, a insatisfação do chefe do Executivo. Porém, não alcança a raiz do problema: a política de preços da Petrobras, fixada em lei e tida como vital para a saúde financeira da empresa. Há apenas 40 dias, a questão levou à demissão de outro militar, o general Silva e Luna, da presidência da estatal.


A alta do diesel que chega às bombas, após ser contida por 60 dias, com imediato reflexo sobre os preços dos alimentos e inflação em geral, colhe o presidente no momento de decolagem de sua popularidade, com expressiva redução da diferença percentual que o separa do ex-presidente Lula, na dianteira, agora, por pouco mais de dez pontos percentuais. E acende as luzes amarelas de alerta para a situação dos caminhoneiros – categoria da base de Bolsonaro com poder de fogo para parar o país.

A sete meses de terminar o mandato, com o sacrifício de um de seus principais auxiliares militares, Bolsonaro dá sinalização política forte, mas ainda não tem sobre a mesa a solução técnica nem para os preços nem para a contenção da pressão social que eles causarão.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.