Christina Lemos Transtornos podem se estender até quinta, após bloqueios de estradas

Transtornos podem se estender até quinta, após bloqueios de estradas

Ordem nos mais de 380 grupos de mensagem de caminhoneiros é resistir. Demora na resposta imediata da polícia agravou quadro

Mobilização digital: chamado ocorre por meio de 380 grupos de mensagem em todo o país.

Mobilização digital: chamado ocorre por meio de 380 grupos de mensagem em todo o país.

Valter Campanato/Agência Brasil

A completa regularização da circulação de pessoas e mercadorias pelas estradas do país em mais de 200 pontos de bloqueio por caminhões deve ocorrer apenas a partir desta quinta-feira (3) — é o que mostra a experiência brasileira desde as primeiras paralisações do tipo, há duas décadas. A velocidade de mobilização da categoria e a demora na resposta das forças de segurança, desta vez, agravaram o quadro em apenas 32 horas após o resultado das urnas, gerando o acúmulo nas pistas, com reflexos principalmente nas grandes capitais.

A mobilização dos caminhoneiros se dá tradicionalmente por meio de grupos de troca de mensagens por meio do celular — atualmente, são mais de 380 desse tipo. A rede permite a comunicação instantânea entre centenas de caminhoneiros autônomos, simultaneamente, em vários estados do país. A ordem nesses grupos, na manhã desta terça, era resistir e retardar o desbloqueio. O blog teve acesso a prints dessa interação, sob o compromisso de preservar a identidade dos interlocutores.

Desta vez, líderes de organizações de caminhoneiros constituídas formalmente negaram participação e até repudiaram o protesto, que no entanto ocorre nacionalmente, sem qualquer reivindicação relacionada às causas trabalhistas ou econômicas da categoria. A motivação da paralisação é declarada como recusa ao resultado das urnas, que deram a vitória eleitoral ao ex-presidente Lula da Silva.

No Estado de Santa Catarina, um dos mais afetados por bloqueios, um vídeo documenta a participação do dono de uma das maiores transportadoras regionais, com uma frota de mais de 600 caminhões. Emílio Dalçóquio Neto, horas depois do resultado eleitoral, defendeu a mobilização nacional em discurso inflamado à base de caminhoneiros. Horas depois, rodovias do estado, onde Bolsonaro obteve a sua maior votação, já estavam interditadas.

Há, no entanto, caminhoneiros retidos das rodovias que não concordam com a mobilização mas temem represálias. O blog recebeu depoimento em áudio do caminhoneiro Fabiano Ribeiro Machado, que teve o veículo bloqueado na BR-101, próximo ao trevo de Içara, em Santa Catarina. “Estou parado em cima da rodovia contra a minha vontade! Eu e vários aqui, estamos sendo usados!”, declarou. “Isso é uma farsa!”, insistiu, em tom indignado. “Liberem uma pista, e o movimento acaba", completou. 

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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