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Diplomacia brasileira busca ampliar espaço da carne na UE

A diplomacia brasileira busca ampliar o acesso da carne bovina nacional ao mercado europeu dentro das novas condições estabelecidas pelo acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Diplomacia e Embaixadas|Fabiana CeyhanOpens in new window

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O tema ganhou importância para o governo e para o setor produtivo diante do potencial de crescimento das exportações para um dos mercados de maior valor agregado do mundo.

O acordo prevê uma cota conjunta de 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul para entrada na União Europeia com tarifa de 7,5%. Do total, 55% corresponde a carne fresca ou resfriada e 45% a carne congelada. O volume será ampliado gradualmente ao longo de cinco anos.


A medida representa uma melhora nas condições de acesso ao mercado europeu, mas não significa abertura irrestrita. As importações que ultrapassarem o volume da cota continuam sujeitas à tarifa-base aplicada pela União Europeia. O modelo adotado pelos dois blocos mantém limites quantitativos para produtos considerados sensíveis.

Para o Brasil, o desafio está em transformar a preferência tarifária em maior participação efetiva no mercado europeu. A cadeia brasileira de carne bovina tem forte capacidade de produção e exportação, mas enfrenta, no mercado europeu, exigências sanitárias e regras específicas para produtos de origem animal.


Além da nova cota de 99 mil toneladas, o acordo modifica as condições da chamada Cota Hilton, destinada a cortes bovinos de maior valor. Segundo o governo brasileiro, a cota de 10 mil toneladas destinada ao Brasil terá a tarifa intracota reduzida de 20% para zero com a entrada em vigor do acordo.

A mudança pode favorecer especialmente os exportadores brasileiros de cortes de maior valor agregado, já que a redução tarifária melhora a competitividade do produto no mercado europeu. O benefício, entretanto, continua condicionado ao cumprimento das regras sanitárias e dos demais requisitos exigidos pela União Europeia.


O acordo estabelece ainda um crescimento gradual das cotas. Na fase inicial, estão previstas 9.075 toneladas para carne bovina fresca e 7.425 toneladas para carne congelada. A partir do quinto ano, os volumes chegam a 54.450 toneladas de carne fresca e 44.550 toneladas de congelada, totalizando as 99 mil toneladas previstas no regime completo.

Esse modelo faz com que a disputa pelo mercado europeu não dependa apenas da capacidade brasileira de produzir mais carne. Exportadores também precisarão administrar o uso da cota, atender às exigências sanitárias e buscar maior valor agregado para os produtos destinados ao bloco.


A União Europeia, por sua vez, mantém mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis. O acordo estabelece regras específicas para o acesso de produtos agrícolas do Mercosul, combinando redução tarifária, cotas e períodos de implementação gradual.

Nesse cenário, a diplomacia brasileira terá papel importante na implementação do acordo e na busca por melhores condições comerciais para os exportadores nacionais. O foco passa a ser a aplicação prática das regras e o aproveitamento máximo das oportunidades abertas pelo novo regime comercial.

A carne bovina surge, portanto, como um dos produtos que poderão medir, na prática, os resultados do acordo Mercosul-União Europeia. A nova cota cria uma oportunidade adicional para o Brasil, mas o aproveitamento desse espaço dependerá da capacidade dos produtores e exportadores de atender às exigências europeias e utilizar de forma eficiente as preferências tarifárias previstas.

Para o setor brasileiro, a questão central agora é transformar o acesso preferencial em presença maior e mais rentável no mercado europeu. O acordo cria a porta de entrada; a disputa comercial, a partir de agora, estará nos volumes, nos preços, na qualidade e na capacidade de ocupar esse espaço.

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