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Embaixador Celso Amorim e deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança protagonizam embate na Câmara

O embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, e o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP) protagonizaram nesta quarta-feira (12) um intenso debate durante audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

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Embaixador de carreira Celso Amorim e Deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança protagonizam embate na Câmara Vinicius Loures / Câmara dos Deputados — 12.08.2026

O encontro foi marcado por divergências sobre a política externa brasileira, as relações entre Brasil e Estados Unidos, a soberania nacional e o combate ao crime organizado. Amorim foi ouvido pelos parlamentares em meio às discussões sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Durante a audiência, Luiz Philippe questionou a condução da política externa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou o que considera uma postura ideológica nas relações internacionais. O deputado defendeu uma atuação mais pragmática do Brasil, principalmente nas relações com os Estados Unidos.


O parlamentar também questionou Amorim sobre a situação do Brasil no cenário internacional e sobre o combate ao narcotráfico. Em determinado momento, perguntou se o diplomata tinha vergonha de o Brasil ser considerado um dos maiores distribuidores de entorpecentes do mundo.

Amorim não concordou com a premissa da pergunta e afirmou que não sabia se o Brasil liderava algum ranking mundial de narcotráfico. Na sequência, fez uma das declarações que mais repercutiram na audiência: disse que se envergonhava da “servilidade” brasileira em relação aos países estrangeiros.


O embaixador defendeu que o combate ao crime organizado seja realizado pelas instituições brasileiras, ainda que o país mantenha cooperação com outras nações. Para Amorim, a soberania brasileira significa utilizar os próprios instrumentos do Estado para enfrentar as organizações criminosas, sem permitir que governos estrangeiros assumam funções dentro do território nacional.

A classificação do PCC e do Comando Vermelho pelos Estados Unidos foi um dos pontos centrais da discussão. Amorim demonstrou preocupação com a possibilidade de que essa medida seja utilizada como justificativa para algum tipo de intervenção estrangeira no Brasil. Ao mesmo tempo, defendeu a cooperação internacional no combate ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e a outras atividades relacionadas ao crime organizado.


Luiz Philippe apresentou uma posição diferente. O deputado argumentou que o Brasil precisa ampliar a cooperação internacional e manter uma relação mais pragmática com os Estados Unidos. Na avaliação dele, o governo brasileiro deveria priorizar os interesses estratégicos e econômicos do país nas negociações com Washington.

As divergências também envolveram a relação do Brasil com o governo do presidente norte-americano Donald Trump. Luiz Philippe criticou a condução das relações bilaterais e afirmou que a política externa brasileira estaria sendo influenciada por questões ideológicas. Amorim rebateu e afirmou que o Brasil está disposto a negociar com diferentes governos, independentemente de suas posições políticas, mas sem abrir mão da soberania nacional.


Outro assunto que provocou discussão foi a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Amorim criticou a forma como o processo foi conduzido pelo governo norte-americano. Segundo ele, a indicação foi divulgada antes da concessão do agrément — autorização necessária do país que receberá o diplomata — e o processo teria avançado no Senado americano sem essa aprovação brasileira.

Amorim classificou o procedimento como contrário às práticas diplomáticas internacionais e afirmou que a condução do processo teria também uma dimensão política. A indicação de Perez ocorre em um período de forte tensão entre Brasília e Washington.

O debate revelou duas visões distintas sobre o papel do Brasil no cenário internacional. De um lado, Amorim defende uma política externa baseada na autonomia, na soberania nacional e no diálogo multilateral, sem subordinação aos interesses de qualquer potência. De outro, Luiz Philippe cobra uma postura mais pragmática e uma aproximação maior com os Estados Unidos, especialmente em questões de segurança e economia.

A discussão na Câmara ocorre em um momento de aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. As divergências envolvendo tarifas, política externa, crime organizado e a atuação do governo Trump ampliaram o debate sobre os limites da cooperação entre os dois países.

Ao longo da audiência, Amorim sustentou que o Brasil pode cooperar com outras nações sem abrir mão de sua autonomia. Luiz Philippe, por sua vez, insistiu na necessidade de uma política externa que, segundo ele, priorize resultados concretos e relações estratégicas com países considerados importantes para os interesses brasileiros.

O confronto entre o experiente diplomata e o deputado acabou representando uma discussão mais ampla dentro do Congresso sobre os rumos da política externa brasileira. Em pauta estão questões que ultrapassam as divergências entre os dois: soberania nacional, segurança pública, combate ao crime organizado, relações com os Estados Unidos e a posição do Brasil diante das disputas geopolíticas internacionais.

A audiência também evidenciou que o debate sobre o combate ao crime organizado deixou de ser apenas uma questão de segurança pública e passou a envolver diretamente a política externa brasileira. Para Amorim, a cooperação internacional é necessária, mas deve respeitar os limites da soberania. Para Luiz Philippe e outros parlamentares da oposição, a aproximação com os Estados Unidos pode ampliar os instrumentos disponíveis para enfrentar organizações criminosas de atuação internacional.

O embate desta quarta-feira colocou frente a frente, portanto, duas concepções diferentes sobre o papel do Brasil no mundo: uma baseada na autonomia diplomática e na defesa da soberania nacional, representada por Amorim, e outra que cobra maior aproximação estratégica com os Estados Unidos e uma atuação considerada mais pragmática, defendida por Luiz Philippe e parlamentares da oposição.

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