PMs presos em MG negam roubo de carga e dizem que foram à BR-381 para fazer escolta particular
Veja detalhes dos depoimentos dos dois militares suspeitos de saquear carga de caminhão; Justiça manteve prisão da dupla
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Os dois policiais militares presos em Minas Gerais por suspeita de envolvimento no roubo de uma carga na BR-381, na última quarta-feira (27), negaram participação no crime.
O sargento Paulo Alberto Bernardino e o soldado Leonardo Nascimento Correia dizem que não foram para a rodovia saquear mercadorias. O Blog teve acesso ao depoimento dos militares e agora detalha o que eles disseram às autoridades.
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O boletim de ocorrência aponta que a suspeita é de que o grupo tenha se aproveitado do tombamento de um caminhão para tomar parte da carga à força. O veículo tinha motos elétricas, roupas, brinquedos, pneus e eletrônicos.
Os relatos reunidos pela polícia apontam que cerca de cinco homens armados chegaram em três veículos, deram tiros para o alto, intimidaram pessoas que estavam no local e disseram que faziam parte de uma escolta ligada à seguradora.
De um lado, Paulo e Leonardo afirmam que foram até o local porque Leonardo teria sido procurado por uma pessoa de São Paulo para fazer a escolta da carga, em um trabalho particular, fora do expediente dele.
Segundo o que consta no depoimento, o soldado teria ido até a rodovia acompanhado de Paulo, usando a caminhonete do colega. Os dois sustentam que não participaram da retirada dos produtos e que não usaram armas no local.
Do outro lado, vítimas e testemunhas dizem que o grupo chegou armado, fez ameaças a saqueadores e retirou mercadorias que já estavam escondidas na mata.
Os depoimentos registram que o motorista do caminhão e o auxiliar reconheceram o sargento Paulo e o soldado Leonardo como dois dos envolvidos. O terceiro carro teria sido alugado por um guarda municipal de Ipatinga, que não foi encontrado no momento das prisões.
Veja o resumo do depoimento do sargento Paulo:
- Disse que é sargento da PM há 24 anos.
- Afirmou que Leonardo faz parte de um grupo de WhatsApp ligado à seguradora de tombamento de carga.
- Contou que, após o trabalho no dia 26, Leonardo dormiu na casa dele.
- Disse que Leonardo recebeu aviso no grupo procurando policiais para fazer escolta e guarda de uma carreta que havia tombado em Antônio Dias.
- Afirmou que foi convidado por Leonardo para acompanhá-lo, porque o local seria perigoso.
- Disse que os dois foram até lá na S10 preta dele.
- Alegou que, no caminho, receberam a informação de que a carga já tinha sido totalmente saqueada e que a missão seria tentar recuperar 16 motos elétricas.
- Disse que chegou ao local por volta de meio-dia e que estava desarmado.
- Afirmou que conversou com o motorista e o ajudante do caminhão.
- Disse que ouviu de terceiros que o motorista e o ajudante teriam desviado parte da carga.
- Alegou que também recebeu informação de que uma caminhonete branca teria levado motos elétricas por uma estrada vicinal.
- Disse que chegou a fazer diligência por essa estrada, mas voltou.
- Negou ter feito disparos.
- Confirmou que fazia serviço particular de assessoramento de proteção de carga fora da área em que é lotado.
- Disse que receberia R$ 600 fixos mais R$ 30 por hora.
- Negou ter colocado mercadorias na caminhonete.
- Disse que a carga já estava totalmente saqueada quando chegou.
Veja o resumo do depoimento do soldado Leonardo:
- Disse que é policial militar há cerca de cinco anos.
- Contou que, no dia 27, estava na casa do sargento Paulo antes de assumir serviço às 22h.
- Disse que, por volta de 5h da manhã, recebeu ligação de uma pessoa que se apresentou como regulador de sinistro.
- Confirmou que faz serviço de freelance de contenção de carga.
- Disse que não sabe informar o nome da empresa nem da pessoa que fez o contato.
- Afirmou que receberia R$ 600 fixos e R$ 30 por hora extra.
- Confirmou que esteve no local dos fatos entre 11h e 12h, acompanhado de Paulo.
- Alegou que, quando chegou, já não havia carga no local e que o pedido era para fazer diligências na área.
- Disse que estava desarmado.
- Negou ter ameaçado o motorista e o ajudante do caminhão.
- Negou ter visto ou feito disparos.
- Disse que chegou ao local de forma pacífica e se apresentou como cidadão, e não como policial.
Prisão preventiva
Mesmo com essa versão, a Justiça decidiu manter os dois presos. Na sexta-feira (29), o juiz homologou o flagrante e converteu a prisão em preventiva, entendendo que há indícios suficientes do crime e que soltar os suspeitos agora traria risco para a ordem pública e para a investigação.
Na audiência de custódia, o juiz Vitor Marcos de Almeida Silva afastou a tese da defesa de que o flagrante seria ilegal.
“Ainda que exista determinado lapso temporal entre o cometimento do delito e a prisão em flagrante dos autuados, nota-se que foram empregadas ininterruptas diligências investigativas pelos agentes estatais responsáveis, persistindo a situação de flagrância que culminou na prisão dos custodiados horas após o fato”, destacou,
Ao converter a prisão para preventiva, o juiz apontou que há provas da materialidade e indícios de autoria com base no boletim de ocorrência e nos relatos colhidos pela polícia.
Também destacou a gravidade do caso, especialmente pelo uso de arma de fogo. Outro ponto que chamou atenção na decisão é o fato de os dois investigados serem agentes da segurança pública, o que, na avaliação de Silva, amplia o risco à ordem pública por causa do acesso mais fácil a armamento.
A decisão também menciona uma possível tentativa de interferência na investigação. O juiz destacou que, segundo os depoimentos, Leonardo teria telefonado para um policial rodoviário federal depois do crime para tentar descobrir se os suspeitos já tinham sido identificados.
Além disso, um terceiro investigado ainda não foi preso, e o magistrado avaliou que a soltura de Paulo e Leonardo poderia facilitar a articulação do grupo.
No fim da audiência, o juiz Vitor Marcos reforçou que a audiência de custódia tem como objetivo avaliar a legalidade da prisão e que a veracidade das denúncias vai ser analisada nas próximas fases do inquérito.
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