A “Lei de Gerson” ameaça nosso Natal
Nos bastidores do poder o que fazem no mês de dezembro parece de propósito para estragar nossas festas
Eduardo Costa|Eduardo Costa

Sabe o tal “espírito natalino”, que nos convida a ter mais calma, paciência e solidariedade em relação aos que nos cercam nesta época do ano? A gente quer abraçar, confraternizar, desejar dias melhores, mas, infelizmente, há sempre a turma que estraga prazeres. Aquelas discussões caseiras, os entreveros de família e as diferenças no ambiente de trabalho a gente até consegue resolver. Agora, nos bastidores do poder o que fazem no mês de dezembro parece de propósito para estragar nossas festas.
Nas casas legislativas, é uma festa. Aproveitam que estamos de olho no Papai Noel, usam projeto de lei inocente para colocar emendas disfarçadas de pouca importância, mas de endereço certo: sempre privilegiando quem já está em melhor situação. Nossa assembleia já garantiu auxílio saúde de R$2,5 mil para os membros do Ministério Público, aumento para servidores do Judiciário e agora trabalha para aprovar um fundo muito esquisito para ajudar o governador. Mas, o salário de dezembro e o décimo terceiro ninguém sabe sequer quando vai sair (para os que ganham pouco, é claro).
A mais nova dessas medidas que beiram o inacreditável foi publicada no último sábado (15) no Diário Oficial do Estado. O governador assinou decreto que institui órgão consultor do Conselho Superior da Polícia Civil, que “será composto por aqueles que tenham exercido o cargo de Chefe da PCMG, pelo interstício mínimo de dois anos, e que não tenham preenchido os requisitos legais para a aposentadoria quando exonerados do cargo”. Estes integrantes do tal órgão consultor somente poderão exercer outras atribuições, cargos, encargos ou funções em casos de “mobilização geral”.
Traduzindo: o atual chefe da Polícia Civil, cujo nome a maioria absoluta dos mineiros desconhece e que foi o quarto ou quinto neste governo que agoniza, aos 44 do segundo tempo conseguiu emplacar uma lei sob encomenda para garantir que, a partir de janeiro, não volte a uma delegacia para trabalhar. Isso mesmo: a polícia reclama o tempo todo falta de pessoal, mas, muitos de seus caciques querem ficar em posto perto do poder, sem lidar com a atividade fim, encarar bandidos, cumprir o dever... E o chefe dá o exemplo, arranjando um jeito de ficar a toa.
Tem base um negócio desses? Será que o Zema não vai anular esse decreto logo depois da posse?
É impressionante como os engravatados tratam a coisa pública como se ela não tivesse dono. Se estão perto de perder a boca, juntam tudo o que é possível de vantagens, privilégios e outras garantias e trazem para a toca, como se fossem bando de hienas que se preparam para hibernar, até que tenham outra chance de avançar sobre a carniça da máquina pública.
Devo ser um idiota por gostar tanto do meu trabalho e não sentir prazer na vadiagem.
