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Agora que o Carnaval passou...

Veja minhas conclusões para – quem sabe – melhorar ainda mais a festa ano que vem

Eduardo Costa|Eduardo Costa

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Avenida Afonso Pena tomada por foliões
Avenida Afonso Pena tomada por foliões

Você pode gostar ou não de Carnaval, mas, convenhamos, nossa folia decolou de vez. Dez em dez pessoas que moram ou visitaram a cidade nos últimos dias estão felizes para sempre. Isso mesmo! Quando se vive um grande momento, ele é para sempre, afinal, sabemos, a rotina é de dureza, obstáculos e intolerância. O bom é que a festa não foi boa só para os foliões: busque informações nos hotéis, nas drogarias, nas padarias, nos bares, converse com o taxista, o catador de latinhas, todo mundo faturou.

E o melhor: a cidade respirou vida, encheu as calçadas, tornou a rua mais segura, vizinho viu vizinho no asfalto, as crianças se aproximaram, os amantes se beijaram, enfim, só não foi feliz quem não quis. Alguém pode reclamar de incomodo, exagero de som... Ora, o barulho do ano inteiro de fato é horroroso, mas, o de dois ou três dias a gente tira de letra; é relaxar e aproveitar; se não gosta de pular pelo menos observa o movimento.


Aqui, algumas conclusões que pretendo encaminhar ao prefeito e ao presidente da Belotur para – quem sabe – melhorar ainda mais a festa ano que vem:

-Os corredores de emergência não podem ser fechados ao mesmo tempo; um taxista relatou que precisava chegar ao Hospital João Paulo II, junto ao Parque Municipal, com uma mãe e duas crianças doentes e teve muita dificuldade, por conta do fechamento simultâneo das avenidas Afonso Pena e Andradas;


-É preciso aumentar o número de banheiros químicos; não que tenham colocado poucos, é que o número de pessoas aumenta de ano prá ano e é preciso evitar o xixi na rua... Não será difícil porque patrocinadores seguramente vão investir mais, é só pedir;

-Por falar em xixi, que tal se dez ou vinte destes banheiros continuassem em pontos estratégicos da área central, o ano inteiro, para socorrer quem passa por aperto de repente?


-Cidade limpa não é a que mais se varre, mas, a quem menos de suja, então, vamos fazer, no ano que vem, junto com a folia, uma campanha de conscientização das pessoas, talvez distribuindo sacos plásticos ou instalando lixeiras na rota dos blocos?

-Venda Nova ficou à margem da festa, com apenas um modesto bloco no domingo... Se alguém não tomar providência, ano que vem vou prá lá com um bloco... Ah, vou sim...


E agora, queria dividir com os amigos, texto de um amigo (que pede anonimato) sobre a hipocrisia brasileira no carnaval do Rio:

Ela é linda, mas tem mau hálito!

Você já deve ter ouvido um famoso ditado, atribuído a Mahatma Gandhi: “seja a mudança que você quer no mundo.” Jamais mudaremos o mundo, se não mudarmos nós mesmos, nossa casa, nossa rua, nosso bairro...

Temos o terrível hábito de apontarmos o defeito do próximo. Mas de não enxergarmos os nossos próprios.

A hipocrisia humana é dos maiores males da sociedade atual. Em especial do mundo do Facebook, das redes sociais, onde todo mundo quer ser celebridade, rico e bonito. Uma vida de faz de conta.

E o carnaval é um pouco o retrato da nossa sociedade. São quatro dias, quando esquecemos que tudo vai mal e vivemos como se tudo estivesse ótimo.

Nada contra o carnaval. Até gosto muito. 

Nos últimos anos, tive a oportunidade de ir ao carnaval do Rio de Janeiro. Um dos mais belos espetáculos da terra. Musicalmente lindo, visualmente estonteante, e socialmente instigante.

Esse ano vi pela televisão. E me chamou atenção o tom de protesto que passou pela avenida. Em especial da última escola, a Beija Flor.

A escola de Nilópolis trouxe em seu enredo uma crítica as mazelas do Brasil. Os ratos da corrupção na comissão de frente. Alas de lobos disfarçados de cordeiros, como nossos políticos. Carros encenando os arrastões, as balas perdidas, o tráfico de drogas, os policiais mortos, o futuro perdido com o genocídio constante de nossos jovens.

Um desfile impactante. Tratado por mitos como um tapa na cara da nossa sociedade.

Logo após o final do desfile, a belíssima atriz Claudia Raia, deu uma entrevista na TV Globo dizendo que a Beija Flor “trazia pra avenida o grito do Brasil que quer mudanças.” 

Mas será que queremos mesmo, Claudia Raia? Ou só queremos ganhar o carnaval, fingir que queremos mudanças e continuar com tudo do mesmo jeito?

Depois da fala da bela atriz, a Globo entrevistou um diretor da Beija Flor. Sabe a quem ele dedicou o belo desfile? Ao bicheiro que financia a escola!

A Beija Flor, que foi pra avenida criticar as mazelas do Brasil e pedir um basta à corrupção, é financiada pelo mais famoso bicheiro do Rio. É a mesma escola que há três anos ganhou o Carnaval homenageando um ditador Africano e recebendo alguns milhões pra isso.

Naquela ocasião, ao ser questionado sobre o tema, o sambista Neguinho da Beija Flor disse: “ai do Carnaval se não fosse o apoio da contravenção!”

Esse é o nosso mal, meus amigos. Não nos incomodamos de verdade com as mazelas. Não estamos dispostos, de verdade, a provocar mudanças. E o Rio de Janeiro é o maior exemplo disso.

Enquanto os arrastões eram simulados no luxo da Sapucaí, eles de fato aconteciam nas ruas do Rio.

O Rio é como aquelas mulheres maravilhosas, mas, vazias. Aquelas que são tão bonitas, mas tão bonitas, que acreditam não precisar de outras virtudes.

Pensam que por serem bonitas, não precisam estudar, trabalhar, ser honestas, ter princípios, ter modos. Acham que só a beleza basta. Não basta! É preciso que tenha outras virtudes. 

O Rio de Janeiro, cartão postal do Brasil, sofre com a maior crise da sua história. O que também é um retrato do restante do país. Violência sem fim, falência dos serviços públicos, domínio das milícias, do tráfico, ex-governadores na cadeia, ex-deputados enjaulados, salários atrasados... enfim. O caos. Somos como uma linda mulher, mas que de tão linda se esqueceu de escovar os dentes, de tomar banho. E com a moça tá fedendo!

Que bom que isso esteja incomodando os cariocas e brasileiros, a ponto de chegar ao palco mundial do Brasil, o carnaval. Mas que chegue de verdade. Não apenas como mais uma encenação de carnaval. Afinal, o carnaval sempre acaba.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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