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BH, 120 anos

Eduardo Costa|Eduardo Costa

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O advento da República no Brasil exigiu de Estados e municípios novas funções administrativas e, como os inconfidentes imaginavam criar em São João Del Rey a capital do Brasil por eles sonhada, a ideia mudancista cresceu muito. Era preciso construir uma cidade que alem de abrigar a sede do governo mineiro, fosse moderna, símbolo do poder das elites mineiras e dos ideais republicanos por elas encarnados. O traçado escolhido é ortogonal: são redes de avenidas superpostas segundo as diagonais do quadrado. Havia sintonia com o planejamento urbano francês, na simetria da planta, na beleza das avenidas, mas, também, influência da cidade de Washington, a capital americana, com a disposição simétrica de quase todas as avenidas.

Assim, criaram três áreas: a urbana, suburbana e rural. A primeira é o que conhecemos hoje como centro, delimitada pela avenida do Contorno e reservada para funcionários e alguns proprietários e comerciantes e Ouro Preto, a antiga Vila Rica.


Em um passeio pelo centro histórico podemos começar pela Rui Barbosa, a praça da Estação, por chegaram homens e máquinas para o trabalho de construção. Ali, a diversidade é rica: tem museu de artes e ofícios, espaço da juventude, monumentos e vida em abundância... Se você descer do trem (que chamamos metrô) de repente, muito provavelmente se sentirá inseguro com tantos moradores em situação de rua, aspecto sujo das calçadas e um odor que confirma o abandono. Mas, diz o Sérgio, que tem uma banca onde se vende de quase tudo há 47 anos a praça é ótima, foi lá que começou o movimento “Fora Lacerda”, com a imitação de uma praia... Aí floresceu o novo carnaval de rua na cidade, com blocos fenomenais - um deles, “Então Brilha” que faz o link da cidade conservadora com a famosa Guaicurus, rua que se caracteriza pelos hotéis de alta rotatividade e símbolo do que restou de zona boêmia. Mais adiante a Rodoviária, uma cidade à parte, com virtudes e defeitos, bonito e feio, legal e suspeito convivendo. Seguindo a Afonso Pena tem a o constante agito da Praça Sete, o elevador mais rápido no Edifício Acaiaca, o indispensável Parque Municipal, a zona hospitalar... Se “a vida é essa, subir Bahia e descer Floresta” descendo tem o viaduto de Santa Tereza, do “Encontro Marcado” e subindo tem a Praça da Liberdade, com a Alameda Travessia, o emblemático Palácio da Liberdade, o circuito turístico – museus que explicam as Minas e as Gerais... É o centro, que ainda abriga lugares únicos como o Mercado Central, verdadeiramente a praia e o ponto de encontro de todos os mineiros.

Cento e vinte anos depois, Belo Horizonte conta com mais oito regionais, tem outras centralidades com vida própria e quase independente, como Venda Nova e Barreiro, crescimentos assustadoramente desordenados como no Belvedere e no Buritis, pendências a serem resolvidas como na região da Izidora, já nos limites com Santa Luzia; tem novas áreas de lazer como a Avenida Fleming na Pampulha, os bares de Lourdes e as Seis Pistas, nos limites com Nova Lima e uma interligação cada vez maior com as cidades conturbadas, ou seja, aquelas cujos moradores às vezes não sabem a quem pagar IPTU. Se tivesse de eleger uma prioridade (e disse isso recentemente ao prefeito Kalil) seria um fórum permanente de discussão dos problemas comuns da Grande-BH, junto, é claro, com uma solução para o Anel Rodoviário e a criação de vários modais de transporte para permitir melhor locomoção de quem precisa ir e vir... Claro que o metrô de verdade, no hipercentro, estaria nos planos.

Mas, como não me habilitei a herdar a administração da cidade, torço para que o prefeito e os 41 vereadores realizem sua tarefa e agradeço ao céu mais bonito do mundo e o mais Belo Horizonte, por ter sido tão bem acolhido cinco décadas atrás e viver tantas emoções nesta centenária metrópole.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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