Homo sapiens, imbatível

Hoje rendo minhas homenagens aos cientistas que viraram noites e madrugadas em busca da vacina contra a covid-19

BH completa a vacinação de adultos no sábado (4)

BH completa a vacinação de adultos no sábado (4)

Pixabay/Reprodução

O fato de que, no próximo sábado (4), Belo Horizonte completa a imunização de todos os adultos mexe comigo. De um lado, alegria por saber que parentes e companheiro de luta têm mais chance de escapar do vírus; de outro, fico viajando pela reviravolta que a covid-19 causou em todo o mundo.

Como pode um bichinho que, de tão pequeno só pode ser visto com microscópio eletrônico de varredura, trazer tanto medo, matar tanta gente, deixar tantas sequelas e colocar de joelhos os grandes líderes políticos e religiosos? Como é possível 20 meses depois de seu aparecimento os médicos ainda continuarem como nós, aprendendo, descobrindo como contê-lo e torcendo para que suas variantes não façam entre nós o estrago já sentido em outras partes do mundo? Como disse um especialista de verdade, Estevão Urbano, os infectologistas estão trocando o pneu com o avião no ar.

Tenho algumas certezas: a primeira é que se trata de roleta russa; não escolhe idade, sexo ou cor. Diria até que desafia comorbidades, pois, vi a morte de jovens atletas e conheço idosos fumantes e de pressão alta que superaram com certa tranquilidade. Outra coisa que minha experiência profissional indica: ele entra em nosso corpo e sai procurando todos os espaços possíveis para inflamar, pegando uns nos rins, outros no fígado, na cabeça, nas veias das pernas. Posso também dizer, por experiência própria, que deixa a respiração sofrida, o pulmão manchado e o paladar e olfato alterados além de outras dezenas de outras sequelas.

Mas, se ele é esse terror, não é também espantosa a capacidade dos humanos de produzirem uma vacina em tão pouco tempo? E não é digno dos melhores capítulos da história que cientistas tenham conseguido evitar que fôssemos dizimados? Essa semana falo com os senhores sobre vários aspectos da pandemia, neste espaço. E começo pela constatação de que se, de um lado, individualmente, não devemos nos considerar mais que um grão de areia, em conjunto, podemos vencer qualquer obstáculo ainda que invisível e oportunista como o “novo corona”.

Hoje rendo minhas homenagens aos cientistas alemães, americanos, ingleses, chineses, turcos, brasileiros, todos que viraram noites e madrugadas em busca da vacina. Amanhã, tiro o chapéu para o SUS e os profissionais da linha de frente no combate.

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