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O Brasil não aguenta eleições de dois em dois anos

Será que o único a entender o quanto é prejudicial do ponto de vista econômico sou eu? 

Eduardo Costa|Eduardo Costa

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Votação acontece no dia 7 de outubro
Votação acontece no dia 7 de outubro

Mais dos que os fatos, que são cada vez mais surreais, o que me impressiona é a indiferença dos brasileiros diante de alguns temas. Um deles a tal história de eleições a cada dois anos. Será que o único a entender o quanto é prejudicial do ponto de vista econômico sou eu? Não falo apenas do que gastamos com as campanhas - que é fortuna - mas, com um sem número de consequências. Por exemplo, oscilação do dólar, com impacto nos preços - desde o pãozinho até a já cara gasolina, paralisação de serviços e concursos públicos, enfim, tudo para três meses antes.

No aspecto político, acho pior ainda. Mais da metade dos vereadores de Belo Horizonte está tentando uma vaga de deputado em 7 de outubro. E o compromisso que essas pessoas assumiram com seus eleitores, de representá-los por quatro anos? E o senador que, eleito governador, vai deixar sua vaga para um delegado no qual ninguém votou?


O maior dos estragos está no imobilismo. Os vencedores das eleições de outubro vão tirar alguns dias de férias e, voltando, estarão com os olhos voltados para 2020 quando terão de apoiar os amigos para prefeituras e câmaras. E, como precisarão de votos, é proibido criar problemas até lá. Enfrentar problemas crônicos na cidade, como mobilidade ou saneamento básico nem pensar porque são soluções duradouras e é preciso mostrar serviço rapidamente. Também não dá para resolver questões de moradores de rua, camelôs, das ocupações porque a repercussão pode tirar votos.

Nesse ambiente de tudo pelo voto, quem quer administrar ainda tem de enfrentar as resistências de todo lado. Está escrito na Constituição que todo cidadão tem direito de ir e vir e a prática tem demonstrado que muitos estão preferindo morar na rua. Parte deles por absoluta falta de opção. Mas, não são poucos os casos em que o cidadão tem família e não quer se submeter as suas regras. Arranja um colchão, fogão e vai para a rua... Se o prefeito quer agir, aparece movimento disso, daquilo, defensoria, promotoria, não sei mais o quê dizendo que ele quer higienizar... O "higienizar" neste caso é sinônimo de prejudicar os pobres e privilegiar os bacanas. Mas o que as cidades precisam - e, Belo Horizonte urgentemente - é de higienizar no sentido mais puro, limpar, lavar, combater o mal cheiro.Mas, como é difícil...


Será tão complicado fazer uma eleição de 5 em 5 anos para que se eleja de vereador a presidente da República, de sorte que os vencedores possam gastar um ano aprendendo, mais um com a próxima eleição e trabalhem de verdade nos outros três? Até quando vamos aguentar essa mamata de o cidadão ganhar para um cargo e, antes do fim, tentar outro, sem correr risco de perder a boquinha? 

O país não vai aguentar...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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