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O Vale tudo das urnas

Eduardo Costa avalia o cenário eleitoral de 2022 para as disputas ao Governo Federal

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De dois em dois anos a população se dirige às urnas para votar
De dois em dois anos a população se dirige às urnas para votar

De dois em dois anos viro papagaio repetidor de frases que chateiam parte da audiência. Uma das pregações: o Brasil não aguenta eleição de dois em dois anos, porque todo sonho de gestão é sepultado pela busca incessante dos votos. A maioria dos ouvintes e telespectadores concorda, mas, sempre desagrado os que vêm nos pleitos o oxigênio da democracia e “a chance de alguma providência acontecer, uma obra ser iniciada”.

Minha outra luta é pela importância do voto, lembrando que tudo depende da política e, se a gente não escolher, não vai poder nem reclamar depois. É dilacerante quando o cidadão xinga políticos e não sabe dizer o nome do deputado no qual votou na última eleição. Quando digo “vamos votar, gente, caprichar na escolha”, recebo uma enxurrada de perguntas do tipo “votar em quem?”.

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Fico na chamada sinuca de bico, pois, não posso induzir o voto e nem ignorar o quanto boa parte dos políticos faz de tudo para dar razão aos desesperançados.

Agora mesmo estou estupefato com Geraldo Alkmin. O homem governou São Paulo por várias vezes, sempre que o entrevistei deixou ótima impressão de seriedade, compromisso com as coisas. Mas, 35 anos depois de ajudar a fundar o PSDB – partido que, historicamente, enfrentou o PT em fatos e argumentos – Alkmin abandona o barco e vira vice de Lula com a maior cara de pau. Pior, transforma o ladrão em esperança.

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Não dá para transmitir. Comparem dois rápidos trechos de discursos do ex-governador, um de 2018, quando Lula, livrando-se de alguns dos muitos processos, avisava que voltaria, e outro, agora, desta semana. O ladrão que voltava à cena do crime virou a grande esperança da Nação.

Na confirmação da dupla antes impossível e diante dos sindicalistas, com os quais Alkmin nunca teve aproximação, declarou que eles são responsáveis por terem criado o maior líder popular do país. E fez cara de paisagem quando ouviu a principal reivindicação do encontro: a revogação da reforma trabalhista, aprovada no governo Temer. Outro dia mesmo. E Lula, que perdeu a divina chance de fazer reformas quando tinha índices altíssimos de aprovação popular, acena agora, de novo, com a possibilidade de destruir o pouco que foi feito, ignorando a insegurança jurídica que provoca.

Impossível não lembrar Hélio Garcia que dizia, entre um porre e outro: “Em eleição, feio é perder”.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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