Tolerância
A viagem com um taxista pelo trânsito de Belo Horizonte me fizeram refletir sobre tolerância
Eduardo Costa|Do R7 e Eduardo Costa

Na última sexta, pouco depois das 5 da manhã, estava na Avenida Contorno, rumo à Record quando, no cruzamento com Getúlio Vargas, um carro passou a 70 por hora no semáforo. O taxista comentou: “É assim, a gente tem de pegar com Deus e rezar para que este tipo de motorista fique longe do nosso destino”. Disse a ele que esta, durante a semana, é a manhã que mais me assusta no trânsito de Belo Horizonte. Parece que os jovens, especialmente do sexo masculino, se seguram de domingo a quarta, mas, na quinta, soltam seus bichos em bares, churrasquinhos, espetinhos e outros lugares onde a bebida rola solta. Pouco mais adiante o carro parou em outro sinal. O som no último volume, o motorista e o passageiro completamente bêbados.
Então, o taxista me falou sobre o relato de uma médica que transportara dias antes e trabalha no Hospital João XXIII. Ela perguntou se ele sabia qual era a noite mais movimentada, com dezenas de vítimas de agressão chegando ao nosso mais importante Pronto Socorro. Diante da negativa, ela explicou que é a noite de Natal, quando “as famílias se encontram e seus membros animados pelo álcool passam dos risos e abraços à seção de provocações e discussão das relações”.
Cheguei ao destino, o táxi foi embora e continuei pensando na noite que viveremos logo mais. Se o histórico incomoda, imagine esse Natal depois de vitória de Bolsonaro, Lula preso, país dividido e pessoas muito irritadas, mídias sociais repletas de agressões, colegas de trabalho brigando, grupos de Whats App de famílias acabando... Então, decidi usar esse espaço para três recados a Papai do Céu:
1) Obrigado por mais um ano de saúde, trabalho, paz em casa e fé na vida;
2) Se não for pedir muito, encha meu coração de resiliência – para adaptar-me o tempo todo às exigências das relações humanas – e paciência para enfrentar os percalços, os diferentes e os chatos;
3) Tolerância para esse mundo que só será feliz se respeitar o que ele tem de mais lindo – a diversidade.
