A falta de professores universitários - o apagão que está próximo
Nova geração não tem tido interesse pela docência devido baixos salários

É real. Nós estamos muito próximos de um apagão no mercado de trabalho de professores universitários. Sem mensagem do caos nem do apocalipse. É real mesmo e é um tema que merece um debate urgente.
Apesar de sermos um país visto como um celeiro de desenvolvimento em muitas áreas, a de Educação Universitária tem sofrido com a escassez de profissionais para as suas fileiras em todas as áreas de formação que possamos imaginar.
É uma realidade que a docência, em todos os aspectos e níveis, tem sido um setor de mercado com baixa nas últimas décadas. Resumindo: a nova geração não tem mais tanta vontade de atuar como professor(a).
Isso ocorre por diversos motivos, mas o principal é a baixa remuneração característica da área. Infelizmente, ainda somos uma nação em que o(a) professor(a) não é valorizado(a) como deveria.
Nos últimos anos, temos presenciado alguns ajustes governamentais que deixaram o funil mais apertado do que já estava: portaria e lei com a obrigação da ampliação de professores mestres e doutores nos quadros de docentes.
Essa decisão criou um ambiente de maior dificuldade porque um profissional mestre ou doutor ganha de 3 a 5 vezes atuando com pesquisas, desenvolvimento de conteúdos educacionais ou trabalhos liberais. Com isso, muitos recusam as ofertas da docência.
Além de todos esses percalços, ainda podemos destacar as áreas em que é praticamente impossível achar profissionais que queiram atuar com a docência. São elas, na escala proporcional de dificuldade para o preenchimento de vagas:
1 - Medicina.
2 - Tecnologia da Informação – Infraestrutura e Desenvolvimento.
3 – Física.
4 – Química.
5 – Matemática.
No último levantamento realizado pelo R7, em 2023, o déficit de professores em universidades federais chega a aproximadamente 4.900 em todo o país. Imagina só... Se na esfera dos concursados já existe essa dificuldade para o preenchimento, imagina como estão os números na esfera privada?
Além disso, estima-se que somente na educação básica, que é o setor com o maior nível de formação de professores(as), poderá haver um apagão de docentes até o final de 2040.
Para a área universitária, que tem baixo índice de formação de docentes, imagina como deve estar essa projeção? A fórmula é simples: se a base, que é o início de tudo, já tem uma previsão de apagão, o topo da pirâmide (ensino superior) não terá retroalimentação. Ou seja, vai ter baixa da mesma forma e o novo preenchimento dessa lacuna levará mais tempo do que a educação básica.
Vamos falar sobre alguns pontos fundamentais sobre o tema?
BAIXA REMUNERAÇÃO
É o principal fator que desmotiva profissionais da nova geração a atuarem na docência. E isso ocorre devido a todo o avanço tecnológico que temos vivido.
Se pensarmos de forma objetiva, nua e crua, observamos que o salário que um(a) professor(a) universitário(a) ganha hoje é o que os jovens da nova geração conseguem fazer vendendo roupas em um Instagram de baixo porte.
É triste constatarmos essa realidade, mas é o fato que nos cerca e só conseguiremos combater os baixos salários quando entendermos, de fato, essa realidade.
Vamos fazer um cálculo para vermos, de forma prática, quanto um docente universitário está ganhando em algumas regiões do país?
REGIÃO NORTE
- média de 35 reais a hora: em um cenário de um docente ocupando as 05 noites da semana com horário-cheio de 04 horas por cada dia, ele chega a um limite de R$ 2.800,00 (reais por mês).
REGIÃO CENTRO-OESTE:
- média de 39 reais a hora: em um cenário de um docente ocupando as 05 noites da semana com horário-cheio de 04 horas por cada dia, ele chega a um limite de R$ 3.120,00 (três mil, centro e vinte reais por mês).
REGIÃO NORDESTE:
- média de 37 reais a hora: em um cenário de um docente ocupando as 05 noites da semana com horário-cheio de 04 horas por cada dia, ele chega a um limite de R$ 2.960,00 (dois mil, novecentos e sessenta reais por mês).
REGIÃO SUL
- média de 44 reais a hora: em um cenário de um docente ocupando as 05 noites da semana com horário-cheio de 04 horas por cada dia, ele chega a um limite de R$ 3.520,00 (três mil, quinhentos e vinte reais por mês).
REGIÃO SUDESTE
- média de 66 reais a hora: em um cenário de um docente ocupando as 05 noites da semana com horário-cheio de 04 horas por cada dia, ele chega a um limite de R$ 5.280,00 (cinco mil, duzentos e oitenta reais por mês).
Mas calma.... esses valores são brutos. Ainda tem impostos.
COMPARAÇÕES COM OUTRAS PROFISSÕES
A nova geração tem uma vantagem que a anterior não tinha (em maioria): escolher com o que vai trabalhar. Por isso, muitas comparações são feitas sobre a flexibilidade de horários, salários e possibilidade de crescimento.
Para entendermos a complexidade da situação salarial da docência, vamos considerar o maior médio acima, o do Sul (R$ 5.280). Se analisarmos o mercado atual como um todo, esse é um valor de uma consultoria que um profissional da área de tecnologia faz.
E faz em home office, sem precisar se locomover ou estar presencial por longos períodos de horas. Se esse mesmo profissional fechar mais uma consultoria dessa, estaremos falando em um faturamento mensal de R$ 10.560 (dez mil quinhentos e sessenta). Em casa. Sem estresse de trânsito.
O DEBATE COMO SOLUÇÃO
Há uma certa complexidade em falar sobre possíveis soluções, principalmente devido ao crescimento do ensino EAD, que é mais barato e que torna o caixa financeiro da instituição bem menor do que era antes, impossibilitando-a de pagar mais.
De um lado, temos o profissional ganhando pouco, a empresa com faturamento menor e entupida de impostos, a sociedade com medo de ingressar na docência e os atuais jovens que ainda não escolheram uma profissão. São 04 parâmetros completamente diferentes um do outro que precisam chegar um consenso juntos.
Merece um bom debate, não acha?
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