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A Lei da Misoginia e as possíveis consequências no mercado de trabalho

Da forma que está, a lei pode prejudicar e gerar desemprego de mulheres

Eu Quero o Sucesso|Flávio GuimarãesOpens in new window

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O Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia (ódio e aversão a mulheres), foi aprovado no Senado na semana passada e agora volta para a Câmara dos Deputados. Esse é um passo importante no combate à violência contra as mulheres. Entretanto, precisamos abordar um olhar técnico sobre o impacto disso no mercado de trabalho para que não possamos tentar resolver um problema de hoje e criar outro lá na frente.

Você sabia que alguns pontos da lei podem causar desemprego para as mulheres?

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Antes de tudo, enfatizo que sou a favor da proteção das mulheres, afinal, tenho algumas que amo muito. Por isso, vou me ater à análise técnica, imparcial e não emocional sobre o assunto.

Como uma grande nação que é o Brasil, nós, brasileiros e brasileiras, precisamos pensar e agir de forma planejada, analisando, de forma técnica e não emocional, os riscos, consequências boas e negativas sobre qualquer tipo de tema.

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Ao ler todos os dispositivos que a lei trata, comecei a refletir sobre o que pode acontecer com as mulheres no mercado de trabalho. A questão não é o projeto em si, mas sim o preparo cultural e educacional que a sociedade tem para recebê-lo. Será que estamos prontos?

Alguns pontos que podem ser vistos como misoginia

1 - Interromper ou duvidar da fala da mulher em reuniões, conversas ou debates.

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Na prática, isso significa que, se você for um(a) chefe(a) e, em uma reunião de trabalho, tiver um debate de discordância sobre determinado assunto com uma mulher e a mesma se sentir discriminada devido à diferença de ideias, ela pode denunciar e você poderá pegar até 5 anos de prisão, sem possibilidade de fiança.

2 – Chamar a atenção da mulher por mau desempenho no trabalho e ela se ofender por isso.

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Se uma mulher for chamada à atenção por baixa produtividade ou baixo desempenho e se ofender por isso, também poderá ser caracterizado como crime.

3 – Perguntar se a mulher está estressada por estar de TPM

Isso também poderá ser enquadrado como discriminação contra a mulher, resultando em 5 anos de cadeia.

4 – Escolha de homens em processos seletivos e ela achar que é apenas pelo fato de ser homem

Se houver dois concorrentes em um processo seletivo, sendo um homem e uma mulher, e o homem for aprovado por algum quesito técnico de perfil profissional, e se a mulher se sentir ofendida, também poderá denunciar por discriminação pelo fato de ser mulher, e a empresa será investigada por isso.

Você compreende o que isso pode causar?

O brasileiro tem um aspecto emocional muito aguçado e, por isso, é apontado como o povo mais feliz do mundo. Essa emoção é levada de acordo com a situação e assunto do momento, refletindo no voto para a eleição de políticos, tomadas de decisões pessoais e temas que a grande massa de pessoas está falando.

São decisões que, com o alto nível de emoção, podem ser tomadas sem a análise necessária, criando um ambiente construído de escolhas baseadas em protestos sociais.

Sabendo desse alto nível de emoção, precisamos refletir se hoje a sociedade tem maturidade para usar uma lei de forma positiva ou se tudo vai se transformar em denúncia por misoginia, com o sentimento de reparação histórica e grito de protesto.

AS CONSEQUÊNCIAS DIRETAS NO MERCADO DE TRABALHO

A provável consequência da aprovação do projeto é que muitas empresas começarão a evitar a contratação de mulheres por receio de múltiplos processos judiciais gerados quando ela achar que está sofrendo discriminação.

Se uma mulher não for promovida e a promoção for para um homem, mesmo que seja por algum fator de curso específico/técnico ou algo do tipo, a mulher pode se sentir discriminada e também denunciar. É provável que situações como essa não vinguem de forma definitiva na Justiça, mas criará um ambiente de insegurança para o mundo empresarial e isso pode gerar dois pontos:

1- As demissões em massa de mulheres.

2 - Preferência por homens para evitar situações de riscos judiciais.

Temos ciência de que hoje a mulher já sofre múltiplos preconceitos no mundo corporativo, como, por exemplo, na volta da licença-maternidade. A insegurança de voltar ao trabalho após um período afastado é um sentimento real das mulheres.

Então, eu pergunto: Será que a lei, com o texto que está, não causará mais preconceitos e desigualdade para as mulheres no mercado de trabalho?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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