Geadas afetam milho e trigo no Rio Grande do Sul
Clima interfere no desenvolvimento das lavouras, enquanto colheita do trigo começa em regiões produtoras

A colheita do trigo começou nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul.As condições ambientais favoreceram as lavouras na maior parte do Estado. No entanto, diferenças no calendário de plantio e no clima provocaram diferentes estágios entre as regiões. Os dados integram o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado nesta quinta-feira (17).
Nas áreas implantadas mais cedo, no oeste gaúcho, 44% do trigo está em enchimento de grãos. Outros 5% chegaram à maturação e algumas áreas já iniciaram a colheita.
Nas lavouras implantadas mais tarde, 12% permanecem em desenvolvimento vegetativo.Além disso, 39% estão nas fases de espigamento e floração.
Frio e geadas exigem atenção no trigo
O clima também trouxe riscos para as lavouras em diferentes regiões produtoras.Em Caxias do Sul, temperaturas reduzidas, nebulosidade e baixa luminosidade retardaram o desenvolvimento das plantas.
As lavouras estão no final do perfilhamento e início da elongação do colmo. Apesar das intempéries, a expectativa de rendimento permanece satisfatória.
Na região de Santa Maria, Tupanciretã concentra a maior extensão regional de cultivo de trigo. Ali, 20% das lavouras estão em elongação, 60% em floração e 20% em enchimento de grãos.
Nas áreas mais adiantadas, o frio intenso e as geadas exigem acompanhamento durante a floração. A Emater/RS-Ascar ainda não quantificou eventuais perdas provocadas pelo clima.
Além dos efeitos climáticos, o trigo enfrenta problemas fitossanitários. Há ocorrência de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela.
Geada causa danos em lavouras de milho
O plantio do milho alcançou 60% da área prevista no Rio Grande do Sul. Na região Noroeste, a semeadura está praticamente concluída. Porém, a geada provocou danos nas lavouras implantadas mais cedo. Os maiores impactos ocorreram em locais mais propícios à formação de geadas.
Arroz avança com tempo seco
Na região de Bagé, a intenção de plantio de arroz alcança 361.027 hectares. A semeadura avançou principalmente nos municípios da Fronteira Oeste. Em Maçambará, 15% dos 16.900 hectares previstos já foram semeados.
A capacidade das máquinas permite avanço significativo das operações diariamente. Apesar disso, as temperaturas baixas podem atrasar o estabelecimento das lavouras.Por outro lado, a sequência de dias secos favoreceu os trabalhos no campo.
As barragens cheias e a melhora nas cotações também estimulam os produtores.Antes, parte deles demonstrava preocupação com a primavera diante da ocorrência de El Niño.
Frio e excesso de umidade afetam produção de leite
Na pecuária leiteira, o excesso de umidade ainda dificulta o acesso às pastagens.A formação de barro também prejudica o manejo dos animais. Além disso, o ambiente aumenta os riscos de mastite e problemas de casco. Em algumas áreas, a redução do encharcamento já melhorou o acesso às forrageiras.
Na região de Bagé, vacas alimentadas em campo nativo recuperam a condição corporal.
Chuva forte altera condições na piscicultura
Na região de Erechim, a geada e o frio reduziram o apetite e a atividade dos peixes.Depois, uma chuva de até 150 milímetros elevou a turbidez dos viveiros.
O aumento da turbidez pode reduzir o oxigênio dissolvido na água. Também pode elevar riscos de inversão térmica, transbordamento e fuga de peixes. Apesar da turbidez, os açudes apresentam boa disponibilidade de água.
Rio Uruguai prejudica pesca artesanal
Na região de Santa Rosa, a elevação do Rio Uruguai voltou a prejudicar pescadores artesanais. A maioria retirou materiais e equipamentos de pesca da água.
Os pescadores também monitoram as embarcações mantidas nas margens.A medida busca evitar perdas ainda maiores diante da elevação do nível do rio.
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