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Decisão do tribunal de Tóquio protege voz humana contra clonagem por IA

Ação movida pelo dublador Kenjiro Tsuda contra conta no TikTok estabelece que a voz é um símbolo da personalidade protegido

Inteligência Cotidiana|João GaldinoOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Tribunal de Tóquio reconheceu a proteção legal da voz humana contra clonagem por inteligência artificial.
  • O caso envolveu o dublador Kenjiro Tsuda, cuja voz foi clonada por uma conta anônima no TikTok.
  • A decisão alinha-se com diretrizes do Ministério da Justiça do Japão e atende a demandas da indústria de animação.
  • Uma campanha nacional foi lançada por dubladores para combater a clonagem não autorizada de vozes.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Kenjiro Tsuda enfrentou o TikTok na Justiça. E ganhou Reprodução/Instagram/@2_da_ken

Em uma decisão proferida na quarta-feira, 30 de setembro de 2026, o Tribunal Distrital de Tóquio declarou que a voz humana possui proteção jurídica contra o uso não autorizado por ferramentas de inteligência artificial.

O caso envolveu o renomado ator e dublador (seiyuu) Kenjiro Tsuda — famoso por dar voz a personagens icônicos como Kento Nanami (Jujutsu Kaisen) e Seto Kaiba (Yu-Gi-Oh!) — e uma conta anônima no TikTok que utilizou uma réplica sintética do seu marcante tom barítono.

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O veredito: vitória doutrinária, mas extinção processual

A juíza presidente Aya Takahashi fundamentou que a voz de uma pessoa é um “símbolo da personalidade do indivíduo”, possuindo valor equivalente ao retrato ou à imagem. No entanto, o tribunal rejeitou o pedido formal de remoção dos vídeos apresentado por Tsuda.

O motivo foi estritamente processual: o proprietário do perfil já havia deletado a conta e o conteúdo do TikTok, e os dados não estavam mais arquivados nos servidores da plataforma, o que extinguiu o interesse jurídico da ordem de exclusão.

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Argumentos das partes, prova técnica e correção de valores

  • A acusação e a prova técnica: A equipe jurídica de Tsuda abriu o processo em novembro de 2025, direcionado a uma conta no TikTok que publicou 188 vídeos entre julho de 2024 e setembro do ano seguinte. Os vídeos combinavam discursos sobre lendas urbanas, ocultismo e teorias da conspiração com a voz clonada do ator. Para comprovar a infração, os advogados utilizaram modelos de deep learning para analisar acusticamente as gravações e demonstrar a correspondência vocal.
  • A defesa do TikTok: A plataforma contestou a alegação, sustentando que os vídeos utilizavam uma “voz masculina genérica” treinada a partir de amostras de um amigo do criador do perfil, argumentando que qualquer semelhança com a voz de Tsuda era altamente subjetiva.
  • Impacto financeiro (correção): O perfil acumulava mais de 210 mil seguidores e uma média de 1,47 milhão de visualizações por vídeo. Diferente de reportagens iniciais que citavam erroneamente valores em libras esterlinas (£500.000 a £75.000), estimativas legais apontam que a conta gerava entre ¥500.000 e ¥750.000 ienes por mês (aproximadamente £2.395 ou R$ 18.000 a R$ 27.000).

O teste jurídico do Japão: “Poder de atração de clientes” (Customer-Drawing Power)

A decisão do Tribunal de Tóquio está alinhada às diretrizes do Ministério da Justiça do Japão, publicadas em agosto de 2026, baseadas no precedente histórico do Supremo Tribunal do Japão de 2012 (Pink Lady).

  • Direitos de publicidade (Paburishiti-ken): A proteção se aplica quando o uso da voz é feito exclusivamente para explorar seu apelo comercial e poder de atração de clientes.
  • O critério não é a onda sonora: O relatório ministerial esclarece que o teste legal não depende da comparação científica de formas de onda (vocalogramas), mas sim do fato de a voz evocar a atribuição direta do artista na mente do público.
  • Lei de Prevenção da Concorrência Desleal: Além dos direitos de publicidade, a ação de Tsuda baseou-se na Lei de Prevenção da Concorrência Desleal (Unfair Competition Prevention Act), cujo descumprimento pode acarretar até 5 anos de prisão ou multas de 5 milhões de ienes, segundo orientações do Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI).

Mobilização da Indústria dos Dubladores (Seiyuu)

Decisão do Tribunal de Tóquio protege voz humana contra clonagem por Inteligência Artificial Imagem gerada por Inteligência artificial: Gemini Notebook LM

O veredito atende a uma demanda urgente da indústria de animação japonesa. Yuko Sasaki, diretora executiva do Sindicato dos Atores do Japão (Nippairen), frisou que a voz de um ator é fruto de “anos de treinamento e aprendizagem rigorosos”.

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Pesquisas do sindicato revelaram que as vozes de 267 dubladores foram clonadas sem autorização em plataformas digitais. Em resposta, 26 proeminentes dubladores lançaram a campanha nacional “No More Unauthorized Generative AI” para desencorajar a cópia ilegal de vozes.

Tendência Global de Proteção Vocal

O caso japonês reflete uma movimentação global de fortalecimento dos direitos de personalidade frente à IA:

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  • Índia: Na ação Arijit Singh v. Codible Ventures LLP, a Alta Corte de Bombaim protegeu os atributos vocais do cantor indiano contra síntese por IA.
  • Estados Unidos: A Lei ELVIS do Tennessee (ELVIS Act, 2024) passou a incluir explicitamente a voz simulada por IA na proteção dos direitos de publicidade.
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