Mitos e verdades em psiquiatria
Apesar da alta prevalência dos transtornos mentais e grande sofrimento, ainda vemos muita desinformação e preconceito que impedem tanto o diagnóstico precoce quanto o tratamento eficaz
Joel Rennó Jr|Do R7
Sonho em ver a mesma crença%2C esclarecimento%2C humanismo e empenho no diagnóstico precoce e tratamento das doenças psiquiátricas como ocorre em todas as doenças físicas. Para isso precisamos superar o medo e preconceito.

Estou iniciando hoje uma grande jornada aqui no Saúde do R7. Estarei pulicando quinzenalmente neste espaço textos e vídeos sobre diversos temas da área de saúde mental, comportamento, estilo de vida e neurociências. Espero também poder interagir com o público respondendo a perguntas ou dúvidas em temas controversos de psiquiatria.
Tanto a psiquiatria quanto o psiquiatra enfrentam uma série de desinformações preconceituosas. No discurso popular, algumas pessoas teimam em discriminar os tratamentos psiquiátricos, chegando ao ponto de rotulá-los como desumanos. O preconceito é ainda mais enraizado em relação aos pacientes que são adjetivados como "fracos", "incapacitados" ou "loucos" e muitas vezes marginalizados.
Bom lembrar que a psiquiatria é uma especialidade médica responsável tanto pelo diagnóstico como pelo tratamento das doenças mentais como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, dependência química, transtornos alimentares entre outras. São de fato doenças classificadas assim pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além do mais, com os avanços científicos atuais, as bases biológicas de vários transtornos mentais vêm sendo desvendadas pela ciência como em qualquer outra doença.
Ninguém consegue ter qualidade de vida ou produzir fora de seu equilíbrio emocional. A procura do tratamento precoce na área de psiquiatria é rara porque muitos se sentem até constrangidos em procurar o psiquiatra e serem discriminados por familiares ou amigos. São barreiras que existem e que precisam ser vencidas por todos nós.
Há uma lei em vigência que não permite a psicofobia, ou seja, a marginalização ou o preconceito contra quem sofre de qualquer transtorno psiquiátrico. Porém, sabemos que acima das leis e regras precisamos em primeiro lugar nos informar e adquirir consciência plena sobre nossos atos nas vidas dos outros.Todos vivemos coletivamente.
Muitas pessoas dizem erroneamente que remédio psiquiátrico "vicia" e "dopa". Hoje temos medicamentos, se prescritos por médicos competentes, seguros e eficazes e que não causam dependência jamais. O que não pode é a autoprescrição ou até prescrições excessivas por parte de médicos não especialistas de forma indiscriminada, sem critérios técnicos, sem um diagnóstico correto. Tratamos doenças mentais e não dores da alma inerentes a todos humanos.
Algumas doenças mentais podem ser crônicas, ou seja, comparáveis a um quadro de diabete ou hipertensão arterial que requerem acompanhamento médico contínuo, com eventuais ajustes ou mudanças dos medicamentos. Claro que o medicamento não é a única vertente do tratamento: temos técnicas de psicoterapia, aspectos nutricionais, atividades físicas, meditação e outras mudanças de estilo de vida como fundamentais para o gerenciamento do nível de estresse e diminuição do seu impacto tóxico sobre o organismo como um todo. Estresse esse que geralmente leva ao quadro de depressão por exemplo.
Por fim, a saúde mental precisa ser encarada com mais seriedade e investimento em todos os países- principalmente após a pandemia da Covid-19. Um estudo recentemente publicado pela USP avaliou o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas: 82% da população brasileira apresentava sintomas ansiosos; 68% sintomas depressivos; 64,5% sentimentos de raiva; 62,6% sintomas somáticos e 55% problemas de sono. Isso interfere em todas as esferas do ser humano: individual, familiar e laboral. Governos que investem de forma organizada e sistematizada em saúde mental melhoram a qualidade de vida de seus cidadãos e a produtividade dos mesmos levando a um crescimento econômico relevante do país. Portanto, se o alvo não for o ser humano que seja o interesse econômico- principalmente após as sequelas psiquiátricas importantes decorrentes da pandemia.















