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Joel Rennó Jr
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Podemos julgar o modelo de liderança na Seleção Brasileira?

Joel Rennó Jr|Do R7

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Após o jogo do Brasil contra a Croácia, houve um verdadeiro massacre ao veterano capitão brasileiro Thiago Silva e também ao técnico Tite sobre o modelo de liderança de ambos. Enquanto o mundo observava o zagueiro em um momento de isolamento e introspecção- quase que em estado de meditação e pedindo aos Céus força e luz para aquele momento- outros detonavam o líder Tite por sair de cena e não consolar seus comandados em campo.

Afinal como um lider deve se comportar? Há maneiras corretas? Será que uma análise justa externa é viável sem conhecermos a intimidade do convívio do atletas? Nessas horas de luto e sofrimento coletivos precisamos ter muito autocontrole nas criticas para não cometermos injustiças e prejulgamentos maldosos ou superficiais.

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Vivemos em uma sociedade de estereotipos e modelos pré concebidos de perfil de liderança. Para alguns, ser líder é ser extrovertido, enérgico, inflexível, um verdadeiro dragão. Líder que é líder é agressivo e jamais demonstra sinais de fraqueza na opinião de muitos.

Observo, na atualidade, muitas mulheres inteligentes e competentes tentando copiar esses padrões masculinos de liderança e se tornando excessivamente rígidas e implacáveis em suas vidas profissionais. Algumas abrem mão até de sua intuição, sensibilidade e criatividade que podem diferenciar um grande líder e se arrependem no futuro. Outra capacidade ignorada é a capacidade do líder demonstrar que é um ser humano que tem suas fragilidades como qualquer outro de forma autêntica e sem negações insensatas e hipócritas aos seus comandados. O sofrimento para quem transgride seus valores e princípios é intenso, um grande nível de estresse observado em várias executivas de ponta.

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Em uma Copa do Mundo, há um propósito de defesa da honra como se fosse uma batalha patriótica em uma Guerra, envolve o peso de uma nação. Trata-se de uma enorme pressão e responsabilidade, independente da experiência e sucesso profissional de cada jogador. Todos nós vivemos sob intensa pressão e cobrança no mundo capitalista competitivo e precisamos saber flexibilizar nossas análises psicológicas que podem ir muito além de certas posturas e demonstrações comportamentais aparentemente atribuídas a perdedores ou fracassados.

A maior prova de liderança demonstrada é o apoio mútuo e respeito por parte do grupo de jogadores e Comissão Técnica da Seleção Brasileira. O ambiente sempre foi considerado de união, agregador e autocritico sem ser centralizador ou autoritário. Todos se cobraram muito. Infelizmente, em nossa cultura, quando o trabalho falha por situações do acaso ou acidentes nada vale para alguns.

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Acredito que não seja pecado para qualquer mortal ter momentos como aqueles apresentados pelo nosso “Capita” Thiago Silva e pelo técnico Tite, muito julgados e hostilizados por torcedores e imprensa. Ninguém conhece o perfil psicológico dessas pessoas que foram capazes de superar grandes adversidades em suas vidas pessoais para serem os grandes profissionais que sempre foram. De fora, é fácil julgar. Nossa sociedade precisa aprender a refletir sobre novos modelos de liderança que vão muito além das aparências e padrões antigos.

Sofri demais com essa eliminação de 2022, o impulso inicial é realmente o de detonar. Mas precisamos ter a noção de que um trabalho, por mais excelente que seja, não tem garantias de sucesso em nenhuma atividade profissional. O acaso, a falta de sorte, um detalhe final podem ruir tudo de bom que foi construído em anos de trabalho em minutos e até segundos. Destruir a reputação das pessoas é execrável.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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