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Luiz Fara Monteiro

Câncer de mama de comissária de bordo é reconhecida como doença ocupacional na França

Decisão histórica e inédita na indústria da aviação do país pode abrir caminho para ações semelhantes

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Câncer de mama de comissária foi reconhecido como doença ocupacional Imagem gerada por IA/Gemini

Uma decisão judicial inédita na França reconheceu que o câncer de mama contraído por uma ex-comissária de bordo - que trabalhava frequentemente à noite e estava exposta ao fumo passivo, permitido em voos à época - se caracteriza como doença ocupacional. A decisão pode abrir caminho para ações semelhantes, disseram o advogado e a Confederação Democrática Francesa do Trabalho (CFDT).

O câncer de mama não está incluído na lista oficial de doenças ocupacionais da França, o que significa que obter o reconhecimento do diagnóstico pode ser um processo longo e difícil para as pacientes. A decisão de agora da justiça francesa é definitiva e não foi interposto recurso.


Sophie Lainault, que por anos trabalhou na Air France, disse à AFP nesta terça-feira (25) que espera que sua vitória judicial pudesse ajudar outras mulheres.

“É meu maior desejo que isso abra caminho para outras mulheres que talvez não tenham se atrevido até agora”, disse a ex-tripulante de 59 anos.


Agora em remissão, Lainault disse que trabalhou para a Air France, a principal companhia aérea do país, entre 1989 e 2019 como comissária de bordo e, posteriormente, como chefe de cabine em voos de longa distância, acumulando mais de 12.600 horas de voo, incluindo mais de 6.500 à noite.

A decisão, analisada pela AFP, foi proferida por um tribunal na cidade de Bayonne, no sudoeste do país, no início de julho, e reconheceu a origem ocupacional do câncer de Lainault.


O tribunal destacou o papel do trabalho noturno, da exposição à radiação ionizante e do fumo passivo. Era permitido fumar nos voos da Air France até o ano 2000.

O tribunal também observou a ausência de quaisquer fatores genéticos ou relacionados ao estilo de vida que pudessem explicar o câncer.


Dois comitês regionais responsáveis ​​pelo reconhecimento de doenças ocupacionais haviam concluído anteriormente que nenhuma ligação havia sido estabelecida.

A decisão permitirá que Lainault se aposente antecipadamente, afirmou ela. Lainault disse que lutou por dois anos e meio pelo reconhecimento, com o apoio de ativistas da CFDT. A advogada de Lainault, Elisabeth Leroux, afirmou que a decisão do tribunal estabelece um precedente legal.

Alguns estudos sugerem que mulheres que trabalham regularmente em turnos noturnos podem enfrentar um risco maior de desenvolver câncer.

A Air France afirmou que “não era parte no processo e não foi informada sobre o raciocínio do tribunal”. A companhia aérea afirmou que “a saúde e a segurança dos funcionários no trabalho são uma prioridade absoluta”.

Em 2023, uma enfermeira francesa que trabalhou em turnos noturnos durante 28 anos e foi exposta à radiação conseguiu que seu câncer de mama fosse reconhecido como doença ocupacional.

Com quase 13.000 mortes por ano, o câncer de mama é o câncer mais mortal entre as mulheres na França, informa a France24.

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