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Luiz Fara Monteiro

Pilotos em LaGuardia reclamam há anos de situações de quase acidente e confusão no controle de tráfego aéreo

‘Por favor, façam alguma coisa’, escreveu um comandante no Sistema de Relatórios de Segurança da Aviação da NASA, onde os relatos são feitos anonimamente

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Controle de Tráfego Aéreo dos EUA: falta de pessoal e fadiga William Alves

Que o Controle de Tráfego Aéreo dos Estados Unidos enfrenta uma séria crise não é nenhuma novidade. Mas de novo, tem uma revelação feita pela CBS News de que, há anos, pilotos reclamam de falhas de comunicação com os controladores e de quase acidentes com veículos terrestres no Aeroporto LaGuardia, em Nova York, de acordo com relatórios arquivados em bancos de dados públicos. A emissora analisou dezenas de relatórios que datam desde três décadas atrás sobre o aeroporto, onde no último fim de semana ocorreu uma colisão fatal entre um voo operado em nome da Air Canada e um caminhão da Brigada de Incêndio do terminal, que foi autorizado a incursionar a pista, segundos antes do acidente que deixou o comandante e o copiloto mortos.

“Por favor, façam alguma coisa”, escreveu no ano passado um comandante de avião que passou por uma situação que considerou um incidente grave com outra aeronave no Sistema de Relatórios de Segurança da Aviação da NASA, onde os relatos são feitos anonimamente e podem levar meses para serem publicados. O comandante relatou que o controle de tráfego aéreo não forneceu orientações sobre um voo que estava decolando e cruzou a pista cerca de 10 segundos antes do pouso.


“O ritmo das operações está aumentando no LGA (LaGuardia). Os controladores estão trabalhando no limite. Em dias de tempestade, o LGA está começando a ficar parecido com o DCA antes do acidente”, escreveu o comandante no relatório anônimo, usando os códigos dos aeroportos LaGuardia e Ronald Reagan National, nos arredores de Washington, DC. No início daquele ano, um helicóptero do Exército e um voo regional da American Airlines colidiram no ar perto do aeroporto Reagan National, matando todas as 67 pessoas a bordo das duas aeronaves.

O mesmo comandante reclamou que um sistema de luzes de status da pista de LaGuardia, que deveria ser visível para aeronaves em decolagem, parecia não estar operacional. Esse sistema tem como objetivo reduzir o risco de incursões na pista.


Em 2001, o piloto de um Airbus A320 relatou ter passado muito perto de um veículo limpa-neves ao decolar da pista 4, a mesma pista onde ocorreu a colisão fatal desta semana entre o jato Bombardier CRJ-900 da Air Canada e o caminhão dos bombeiros. O piloto estimou que sua aeronave passou a uma distância de 15 a 23 metros do limpa-neves.

Assim que o avião estava decolando, o piloto notou as luzes amarelas piscando do limpa-neve e, em seguida, avistou outros dois veículos, segundo o relatório. O piloto observou que o controlador estava trabalhando tanto na torre quanto no tráfego terrestre: “O mesmo [controlador] não deveria trabalhar em ambas as frequências.”


Uma análise da CBS News do banco de dados oficial da Administração Federal de Aviação (FAA) sobre incursões de pista, quando aeronaves, carros ou pessoas entram na pista sem autorização, identificou pelo menos 132 incidentes desde 2000, incluindo 17 envolvendo veículos de manutenção, remoção de neve e outros veículos de apoio que estavam em pistas quando não deveriam estar. Houve seis relatos no total em 2025, incluindo um envolvendo um pedestre em uma pista e um envolvendo um veículo terrestre. Os demais envolveram múltiplas aeronaves. A incursão de pista é considerada um incidente de superfície grave, representando risco de colisão durante operações, geralmente causado por falhas de comunicação, desorientação ou erros de procedimentos.

Reportagem ainda de janeiro do ano passado afirmou que os aeroportos em todo o país já há muito vinham enfrentado problemas com o número de controladores de tráfego aéreo, de acordo com uma análise da rede sobre dados governamentais e entrevistas com especialistas em aviação.


Os texto dizia que os dados da Administração Federal de Aviação (FAA) mostravam que, em todas as torres de controle de aeroportos em todo o país, apenas cerca de 70% das metas de pessoal foram preenchidas por controladores totalmente certificados em setembro.

Nick Daniels, presidente da Associação Nacional de Controladores de Tráfego Aéreo, o sindicato da categoria, nunca escondeu que “o número de controladores de tráfego aéreo está no nível mais baixo de todos os tempos”. E muitos profissionais da ativa relatam, sob anonimato, que estão trabalhando sob fadiga, um dos aspectos mais consideráveis como causas contribuintes de incidente ou acidente.

Em uma declaração, Daniels afirmou que o país contabilizava 10.800 controladores profissionais certificados, quando o número mínimo ideal seria de 14.633.

“Qualquer contratempo, uma paralisação do governo ou qualquer coisa que interrompa o fluxo de controladores de tráfego aéreo, certamente prejudicará a capacidade de transporte aéreo e o número de aeronaves que podemos colocar no ar com segurança a qualquer momento”, acrescentou.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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