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Luiz Fara Monteiro
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Amazônia: potencial é desperdiçado também no setor aéreo

A quantidade de empresas aéreas que faliram é sintoma de um problema regulatório

Luiz Fara Monteiro|Luiz Fara MonteiroOpens in new window e Augusto Cesar Barreto Rocha*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A regulação do setor aéreo na Amazônia é crucial para resolver a falta de voos e problemas financeiros das empresas.
  • A competição excessiva tem levado empresas a operar com preços abaixo do custo, prejudicando o setor.
  • O PL 539/2024 pode piorar a situação ao abrir o setor para empresas estrangeiras sem tratar as causas dos problemas existentes.
  • A criação de tarifas reguladas e rotas rentáveis é necessária para revitalizar o setor aéreo e a economia da Amazônia.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A saída regulatória na Amazônia passa pela criação de um espaço com tarifas máximas reguladas William Alves

Falta de voos se resolve com regulagem, regulagem, aviões, aeroportos, aeródromos, pessoas e dinamismo econômico. Não escrevi errado: a regulagem é mais importante que todo o resto, por mais que o todo seja necessário. Temos problemas em todas as dimensões no setor aéreo nacional, e a distribuição é equânime, ou seja, temos duas vezes mais problemas com regulagem do que com as demais questões.

Pessoas, empresários e tecnologias certamente estão também na equação, mas ficam plenamente representados nas demais dimensões, afinal aviões não operarão sem pessoas, empresários ou tecnologias. Tal qual, não teremos aeroportos sem pessoas, empresários e tecnologias. A questão que me inquieta é que nossas pessoas não conseguem fazer a regulação apropriada do setor aéreo nacional. A quantidade de empresas aéreas que faliram ou foram incorporadas por outras por severos problemas financeiros é, antes de qualquer outra questão, um sintoma de um problema regulatório.

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Há uma competição super saudável em qualquer setor da economia. Todavia, as empresas não podem ter uma competição tão acirrada que sejam levadas a operar com estrutura de preços de venda abaixo de seu custo, pois será destrutivo para o negócio. Uma empresa aérea é mais que um negócio, pois é um serviço fundamental para uma economia desenvolver. Em uma região isolada, tipicamente é mais que isso, pois se torna essencial e pode viabilizar ou inviabilizar a vida em uma região.

A falta de voos se resolve com regulagem. A falta de infraestrutura se resolve com investimentos. A falta de um setor aéreo competitivo e dinâmico afeta profundamente a construção de uma economia pujante, por mais que tenhamos virtualizado muito de nossas vidas. Voar na Amazônia é muito caro. O PL 539/2024, que abre o setor para empresas estrangeiras, não terá o condão de melhorar a situação da região. O que teremos será um setor ainda mais desmantelado, pois não atua na causa dos problemas.

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A análise é míope, pois os voos que sobrevoam a Amazônia não ofertarão assentos para conectar o interior com as capitais. Não haverá mais rotas de cargueiros por causa disto. O que teremos é potencial competição de empresas sujeitas a outro marco regulatório ou uma letra de lei que é apenas uma semente para criar outra base de subserviência da nossa economia nacional para empresas estrangeiras, ao invés de decifrar por completo a causa de nossas empresas aéreas não superarem as barreiras que impedem uma operação rentável e competitiva.

A saída regulatória na Amazônia passa pela criação de um espaço com tarifas máximas reguladas e concessões de rotas rentáveis para empresas de pequeno e médio porte poderem operar regularmente e saudavelmente, conectando o interior profundo com as capitais. Para isso poderemos usar a ANAC, os Governos dos Estados e aviões da Embraer, trazendo uma nova onda de companhias aéreas regionais. Este tipo de ação poderá mudar toda a dinâmica econômica da Amazônia.

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*Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM.

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