Miolo conquista certificação carbono neutro e reflete mudança na produção de vinho
Ao remover mais carbono do que emite, grupo brasileiro se alinha a práticas já adotadas por vinícolas nos EUA, Europa e América do Sul

A sustentabilidade passou a ocupar um papel central na indústria do vinho. Mais do que uma tendência, tornou-se uma questão técnica e estratégica, impulsionada pelos impactos das mudanças climáticas sobre a viticultura.
Nesse contexto, o Miolo Wine Group anunciou a certificação de suas operações como carbono neutro, com saldo negativo de emissões, um resultado que indica que a empresa remove da atmosfera mais carbono do que gera em sua atividade.
O que significa ser carbono neutro (ou negativo)
A certificação de carbono neutro parte da medição das emissões de gases de efeito estufa ao longo de toda a produção, do vinhedo ao engarrafamento. Esse volume é então comparado à capacidade de remoção de carbono da operação.
Quando as emissões são totalmente compensadas, a empresa é considerada carbono neutro. Quando as remoções superam as emissões, o resultado é classificado como carbono negativo.
No caso da Miolo, os dados de 2025 apontam emissões de cerca de 1.343 toneladas de CO₂ equivalente e remoções superiores a 2.400 toneladas, resultado associado principalmente ao manejo agrícola, à preservação de áreas naturais e ao papel dos vinhedos como captadores de carbono.
Uma agenda já consolidada no exterior
A incorporação de metas ambientais já faz parte da estratégia de diversas vinícolas em mercados tradicionais.
Nos Estados Unidos, a Rodney Strong Vineyards foi uma das primeiras vinícolas de Sonoma a alcançar neutralidade de carbono, com uso de energia solar e práticas sustentáveis. Outra referência é a Sokol Blosser Winery, que combina certificações ambientais com gestão integrada de sustentabilidade.
Na América do Sul, a chilena, Viña De Martino foi pioneira ao adotar metas de neutralidade de carbono ainda nos anos 2000.
Na Europa, a Familia Torres desenvolve desde 2008 um programa estruturado de redução de emissões, enquanto iniciativas como a International Wineries for Climate Action reúnem produtores com metas comuns de descarbonização.
O que muda além do vinhedo
A discussão sobre sustentabilidade no vinho vai além da viticultura. Parte relevante da pegada de carbono está ligada a fatores como embalagem, consumo energético e transporte.
Por isso, vinícolas vêm revisando toda a cadeia produtiva, com adoção de energia renovável, redução de insumos e ajustes logísticos.

O caso brasileiro
No Brasil, a adoção de métricas estruturadas de carbono ainda é recente. A certificação da Miolo envolve suas unidades no Rio Grande do Sul e na Bahia e considera toda a cadeia produtiva, incluindo emissões diretas e indiretas.
O levantamento também incorpora a capacidade de captura de carbono dos vinhedos e das áreas de vegetação nativa mantidas pelo grupo.
Mais do que tendência, uma mudança de lógica
A sustentabilidade no vinho passa a influenciar não apenas o discurso, mas decisões técnicas, operacionais e comerciais.
Ainda não é um critério dominante para todos os consumidores, mas já ganha espaço em mercados mais exigentes e tende a se consolidar como variável relevante no setor.
No Brasil, iniciativas como essa indicam um movimento em evolução, alinhado ao que já vem sendo desenvolvido por produtores em outras regiões do mundo.
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