O que define um bom touro na pecuária de corte?
Fertilidade, genética e adaptação ao campo são critérios importantes na seleção dos reprodutores
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Escolher um bom touro vai muito além de observar a aparência ou conferir o registro genealógico. Na pecuária de corte, fertilidade, adaptação às condições da fazenda e capacidade de transmitir características produtivas são fatores que podem fazer diferença no resultado da próxima safra.
Em Teodoro Sampaio, na Bahia, o engenheiro agrônomo e pecuarista Stélio Portinoi encontrou nos reprodutores Santa Gertrudis uma alternativa para melhorar o desempenho dos cruzamentos industriais. Em um dos lotes, os bezerros desmamaram aos oito meses com peso médio de 259 quilos.
“Escolhi reprodutores da raça depois de uma pesquisa em que tive a informação de que produziam bezerros rústicos e pesados ao apartar, e isso se confirmou plenamente no campo”, disse.
Além do peso, Portinoi destaca a rusticidade e a adaptação dos animais às condições da propriedade, assim como a libido e os índices de prenhez nos cruzamentos com matrizes Nelore e fêmeas F1 Angus.
“Os bezerros nascem pequenos e ganham peso rápido, desmamando pesados, tanto os machos quanto as fêmeas. O resultado tem sido tão expressivo que nossa propriedade virou referência regional na venda de bezerros de cruzamento industrial, com compradores vindo procurar os lotes diretamente aqui”, destacou.

Mas como identificar um reprodutor capaz de transmitir essas características? Para Maury Dorta, supervisor de raças taurinas e compostas do programa Geneplus, o registro de Puro de Origem (PO) não é suficiente para garantir a qualidade produtiva do animal.
“Nem todo macho PO é touro. Pelo contrário, só uma parte deles deverá ser considerada assim: aqueles que forem geneticamente superiores, que participarem de programas de melhoramento e tiverem as condições funcionais e raciais dentro do que se espera para um touro trabalhar com eficiência a campo”, explicou.
O especialista ressalta que a seleção também precisa incluir os animais utilizados no repasse após a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), para que toda a safra receba genética melhoradora.
“O ideal é que os touros de repasse também possam entregar produtos que também sejam superiores, ou seja, animais melhoradores, e para isso não há outra solução a não ser buscar a melhor genética disponível e investir nesses touros de repasse participantes de programas de melhoramento”, afirmou.
A escolha dos reprodutores deve considerar ainda os objetivos de cada fazenda. No programa de melhoramento da raça Santa Gertrudis, são avaliadas características que vão do peso ao nascimento à carcaça. O sumário de touros, publicado semestralmente, reúne informações para auxiliar o produtor na comparação dos animais.
Em Zé Doca, no Maranhão, o pecuarista Ricardo Alves também utiliza touros Santa Gertrudis em matrizes Nelore comerciais e destaca o desempenho dos bezerros à desmama.
“Nas mesmas vacas em que insemino com touros Nelore de cabeceira, quando vamos apartar os bezerros, os filhos do Santa Gertrudis conseguem um peso a mais, entregando um bezerro ainda mais pesado do que o Nelore puro”, afirmou.
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