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Cientista vai receber prêmio por estudo que fortalece a agricultura no semiárido

Thieres George Freire da Silva é pró-reitor de pesquisa e professor associado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)

Mundo Agro|Fabi GennariniOpens in new window

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Thieres George Freire da Silva, pró-reitor de pesquisa e professor associado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Foto cedida: Fundação Bunge

Thieres George Freire da Silva, pró-reitor de pesquisa e professor associado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), é um dos principais pesquisadores brasileiros em ciências agrárias, com mais de 20 anos dedicados à gestão do risco climático, aos impactos das mudanças climáticas e ao desenvolvimento de tecnologias para o setor agropecuário.

Com cerca de 1.000 produções científicas, incluindo mais de 300 artigos publicados em periódicos de destaque, ele será condecorado na categoria Vida e Obra da 70ª edição do Prêmio Fundação Bunge 2025, pelo tema “Gestão do risco climático na produção de alimentos”.


A cerimônia será realizada no dia 23 de setembro, em São Paulo, homenageando personalidades que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento social, cultural e científico do Brasil.

Em entrevista à Mundo Agro, Thieres George fala sobre os desafios da agricultura frente às mudanças climáticas e o papel da educação na transformação do Semiárido.


Mundo Agro: Eu gostaria de falar um pouco sobre a sua trajetória em pesquisa em ciências agrárias e gestão do risco climático. São mais de 1000 publicações, das quais mais de 300 artigos publicados. Com mais de 20 anos de experiência, como o senhor vê a evolução do setor agropecuário frente às mudanças climáticas? E de que forma essas pesquisas contribuem para melhorar a produtividade e a segurança dos agricultores?

Thieres George Freire da Silva: Há décadas, a agricultura brasileira avançou fronteiras regionais e se tecnificou, inicialmente, para permitir a produção de lavouras em diferentes tipos de clima do país e de solos, por vezes inférteis, e em grande escala com a adoção de biotecnologias e máquinas.


Isso tudo fruto do avanço das pesquisas ao longo dos anos. Mas nos últimos anos, a pressão dos consumidores pela sustentabilidade dos sistemas de produção e as dificuldades que o clima tem imposto para a produção de alimentos tem forçado o avanço contínuo de pesquisas voltadas a conservação dos biomas e para o desenvolvimento tecnologias que aumentem a resiliência agrícola.

Mundo Agro: Quais são os maiores desafios enfrentados na gestão de risco climático no Brasil?


Thieres George Freire da Silva: Diante dos aumentos dos eventos extremos com ondas de calor e períodos mais longos de estiagem é preciso pensar em planos de resiliência mais detalhados e eficazes que combinem ações conjugadas do governo, empresas e a sociedade civil para a identificação, o monitoramento e a formulação de estratégias de risco de curto e médio prazo de tempo para os diferentes segmentos envolvidos no setor agropecuário nacional.

Mundo Agro: Como os agricultores podem se preparar para os efeitos das mudanças climáticas?

Thieres George Freire da Silva: Os produtores precisam adotar uma visão sistêmica que concilie a sustentabilidade dos sistemas de produção com a preservação dos biomas, reconhecendo os serviços ecossistêmicos como aliados estratégicos para o setor agropecuário e para o bem-estar da população.

Nesse contexto, destacam-se a conservação das florestas combinadas à adoção de tecnologias voltadas à resiliência climática como ao uso de variedades resistentes, práticas que aumentem a eficiência no aproveitamento dos recursos naturais, integração lavoura, pecuária e floresta, soluções inteligentes para a gestão hídrica e o uso racional da água, além de iniciativas que promovam a saúde do solo, como plantio direto e cobertura morta, e que agreguem insumos naturais para mitigar a emissão de gases de efeito estufa, com vistas a uma agricultura de baixo carbono.

Complementarmente, sistemas de monitoramento em tempo real podem aperfeiçoar o manejo agrícola e subsidiar processos mais assertivos dos tomadores de decisão.

Thieres George Freire da Silva, pró-reitor de pesquisa e professor associado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Foto cedida: Fundação Bunge

Mundo Agro: O senhor receberá neste mês, dia 23 de setembro, o Prêmio Fundação Bunge, na categoria Vida e Obra, com o tema “Gestão do risco climático na produção de alimentos”. Seu pai e seu tio eram agricultores em Petrolina, (PE). Em algum momento, o senhor pensou em seguir outra profissão que não fosse a Engenharia Agronômica?

Thieres George Freire da Silva: Em 2025, fui agraciado com o Prêmio da Fundação Bunge, uma surpresa muito boa para mim, pois há mais de 20 anos tenho me dedicado a pesquisas voltadas à gestão do risco climático, em especial, para o Semiárido brasileiro, que é a minha região de origem.

Durante a minha infância, em Petrolina (PE), estive muito envolvido com o ambiente agrícola, logo decidi fazer o curso de agronomia. Nunca pensei em outro curso, por causa do aspecto familiar, mas também por achar que trabalhar com agricultura fosse algo importante para a região.

De lá para cá, eu me identifiquei com a área de agrometeorologia e decidi fazer mestrado e doutorado em Meteorologia Agrícola, e atuar com a gestão do risco do clima. Depois que entrei, como docente, na Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE me dediquei a trazer soluções para a produção de alimentos para ambientes mais vulneráveis à seca.

Desde então, lotado na Unidade da UFRPE, em Serra Talhada, Pernambuco, venho pesquisando na área de Gestão do Risco Climático, que envolvem o monitoramento e análise dos impactos das mudanças climáticas e do uso da terra, proposição de Sistemas de Produção Climaticamente Resilientes e Inteligentes, e geração de produtos e serviços agrometeorológicos para o Setor Agropecuário.

Mundo Agro: Lendo sobre o seu perfil, encontrei uma frase que chamou minha atenção quando o senhor assumiu o cargo de professor no campus de Serra Talhada da UFRPE: ”Aqui, no semiárido, há uma demanda alta por acesso à educação de qualidade e a oportunidades". Poderia nos falar mais sobre o contexto dessa frase?

Thieres George Freire da Silva: O avanço do ensino público, com a interiorização das universidades, tem transformado a realidade das pessoas. Trata-se de mais ensino, pesquisa e disseminação de conhecimento de qualidade para uma população historicamente carente de oportunidades.

Como professor da Unidade da UFRPE em Serra Talhada, a 400 km de Recife, no coração do Semiárido, tive a oportunidade de formar muitos estudantes com senso crítico, capazes de tomar decisões que melhoram não apenas suas próprias vidas, mas também a de toda a comunidade em que estão inseridos. Sinto-me honrado em contribuir para a transformação do sistema educacional das universidades federais e em colaborar com o desenvolvimento da população do Semiárido.

Esse prêmio foi mais um motivo para continuar!

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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