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O que é que eu faço Sophia INSS paga 36 milhões de benefícios, mas só 778 pessoas recebem o teto

INSS paga 36 milhões de benefícios, mas só 778 pessoas recebem o teto

Apuração exclusiva desta coluna mostra que menos de mil segurados conseguiram receber R$ 7.087,22 em janeiro

Resumindo a Notícia

  • INSS paga 36,4 milhões de benefícios
  • 64% dos segurados receberam o salário mínimo
  • Só 778 pessoas receberam o teto máximo da Previdência
  • Reforma deve tornar 'virtualmente impossível' receber o teto, dizem especialistas
Valor médio do benefício pago pelo INSS é de R$ 1.547,54

Valor médio do benefício pago pelo INSS é de R$ 1.547,54

CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO-25/01/2022

Levantamento feito com exclusividade pela coluna "O que é que eu faço, Sophia" junto ao INSS constatou que, dos mais de 36 milhões de benefícios pagos a segurados do INSS em janeiro de 2022, apenas 778 correspondiam ao teto pago pela Previdência Social, que hoje é de R$ 7.087,22. O valor corresponde a 0,002% do total de 36.423.793 benefícios pagos.

Por outro lado, 23,5 milhões de segurados, ou 64,4%, recebem o salário mínimo, que está em R$ 1.212. O valor médio do benefício pago é de R$ 1.547,54, informou o instituto. Todos os dados são de janeiro de 2022.

A assessoria de imprensa do INSS lembra que esse valor muda mensalmente e que isso ocorre por conta de mortes e também do fim de pagamento de benefícios, como auxílios.

Benefícios pagos pelo INSS em janeiro de 2022

Benefícios pagos pelo INSS em janeiro de 2022

INSS

Número chocante

Para o especialista em cálculos previdenciários da ABLCalc, Giovanni Magalhães, o número é "chocante". E o que é pior é que a reforma deve diminuir ainda mais o número de segurados que conseguem receber o valor máximo pago pelo INSS.

A gente tem uma noção de que não são muitas pessoas, mas 778 chega a chocar. Eu imaginava que eram ao menos umas 100 mil pessoas, mas menos de mil é muito pouca gente, é impressionante. E com a reforma esse número deve diminuir ainda mais, tornando-se virtualmente impossível se aposentar pelo teto da Previdência."

Giovanni Magalhães, especialista em cálculos previdenciários

Reforma da Previdência mudou cálculo

A chance de conseguir se aposentar pelo teto deve ser ainda menor porque a Reforma da Previdência mudou o cálculo para obter o benefício, explica o especialista.

Antes da reforma, o cálculo do benefício era feito sobre a média de 80% das maiores contribuições desde julho de 1994, desprezadas nos 20% as menores contribuições. Sobre o resultado, aplicava-se o fator previdenciário.

Após a mudança com a reforma da aposentadoria, a partir de novembro de 2019, o cálculo é feito sobre a média de todos os salários desde julho de 1994. O valor da aposentadoria será 60% dessa média mais 2% para cada ano de contribuição que supere 15 anos no caso da mulher e 20 anos no caso do homem.

"Nesse sentido, a mulher atingiria a integralidade do benefício com 35 anos de contribuição, enquanto o homem apenas com 40 anos de contribuição. Importante lembrar que a reforma permite exceder o coeficiente de 100% para cada ano que ultrapassar 35 no caso da mulher e 40 no caso do homem", explica Magalhães.

Planejamento da aposentadoria pode ajudar a melhorar o valor

Para o advogado especializado em direito previdenciário João Badari, do Aith, Badari e Luchin Advogados, sem dúvida a chance de conseguir o teto do INSS é muito pequena, mas o valor do benefício poderia ser melhorado com alguns cuidados.

O número de pessoas que recebem o teto é pequeno não só pelas regras previdenciárias serem pesadas para o segurado, mas também porque o segurado não planeja sua própria aposentadoria.

João Badari, advogado especializado em direito previdenciário

"Muitas vezes o segurado simplesmente vê que atingiu o tempo de contribuição ou a idade mínima e pede o benefício do INSS. Mas, por falta de planejamento adequado, ele pode ter esse valor ainda mais achatado. "

Isso pode acontecer por ter deixado de levar uma documentação que corrigiria os dados que estão no INSS, ou que aumentaria o tempo de contribuição, exemplifica Badari.

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Ainda ficou com alguma dúvida? Envie suas perguntas para a coluna “O que é que eu faço, Sophia?” pelo e-mail sophiacamargo@r7.com.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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